Hospital Central Coronel Pedro Germano isola setor após confirmação de infecção por Candida auris, fungo resistente que preocupa profissionais de saúde. | Foto: Divulgação

Cotidiano

Saúde pública Superfungo: Hospital da PM bloqueia área de internação em Natal

Casos de Candida auris são investigados; pacientes seguem isolados e cirurgias são redirecionadas para outros hospitais

por: NOVO Notícias

Publicado 11 de março de 2026 às 09:30

O Hospital Central Coronel Pedro Germano, conhecido como Hospital da PM, em Natal, bloqueou parte de sua área de internação após a confirmação de casos de contaminação por Candida auris, um fungo resistente a tratamentos comuns. A Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) informou que a liberação do setor de internação cirúrgica deve ser avaliada na próxima semana em conjunto com a própria unidade, Anvisa e Ministério da Saúde.

De acordo com a Sesap, as cirurgias programadas no hospital não estão suspensas; a demanda está sendo absorvida por outras unidades da rede, dependendo da condição clínica de cada paciente. A área utilizada para cuidados vasculares permanece em operação normal, mantendo o hospital como referência nesse tipo de atendimento.

Durante coletiva na semana passada, o secretário estadual de Saúde, Alexandre Motta, descartou a interdição total do hospital. Ele explicou que a estratégia adotada é o isolamento de setores específicos e a intensificação das desinfecções, evitando a paralisação completa das atividades.

Até o momento, dois pacientes foram identificados com Candida auris. Um deles já estava colonizado com o fungo antes de dar entrada na unidade; o segundo se contaminou durante a internação. Ambos permanecem isolados, sem apresentar sintomas relacionados ao fungo. A Sesap anunciou ainda investigação sobre possíveis falhas nos processos de higienização, que segue em andamento.

A infectologista Gisele Borba, do Hospital Universitário Onofre Lopes (HUOL/UFRN), alerta que o Candida auris pode causar surtos em hospitais devido à sua resistência e persistência em superfícies. Segundo ela, o fungo afeta principalmente pacientes com internações longas, imunossuprimidos ou submetidos a múltiplos procedimentos e uso prolongado de antibióticos.

Borba ressalta que a contaminação ocorre tanto pelo contato direto com o paciente quanto por superfícies hospitalares ou mãos de profissionais de saúde não higienizadas. O fungo pode causar infecção ou apenas colonização, quando está presente no organismo sem provocar doença. A médica reforça a importância da limpeza rigorosa e da higienização das mãos com água e sabão ou álcool em gel.

O tratamento contra Candida auris é feito com antifúngicos específicos, escolhidos conforme o local da infecção e o antifungigrama, exame que determina a sensibilidade do fungo ao medicamento. Especialistas reforçam que, com os cuidados adequados, não há risco para familiares ou profissionais após a alta do paciente.

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