Alexandre Motta, secretário de Saúde do RN - Foto: Reprodução/Sesap RN

Cotidiano

Saúde Sesap explica centralização de soros antiofídicos no RN e cita baixa produção nacional

Secretário Alexandre Motta afirma que distribuição direta a municípios como Currais Novos e Apodi depende de maior oferta do Butantan e treinamento de equipes

por: NOVO Notícias

Publicado 23 de fevereiro de 2026 às 20:00

O secretário de Saúde do Rio Grande do Norte, Alexandre Motta, esclareceu os motivos pelos quais o Estado ainda mantém a centralização da oferta de soros antiofídicos (utilizados em casos de picadas de cobras). Em vídeo divulgado nas redes sociais, ele explicou que a descentralização do serviço é uma demanda frequente de municípios como Currais Novos e Apodi, que registraram acidentes recentes, mas, segundo a pasta, a medida esbarra em limitações de produção nacional e logística de segurança.

De acordo com o secretário, o principal entrave é a produção insuficiente de soros pelo Instituto Butantan, o que reflete em uma distribuição limitada por parte do Ministério da Saúde. Atualmente, o Rio Grande do Norte conta com 21 centros de atendimento estrategicamente localizados para otimizar o estoque disponível.

Alexandre Motta explicou que a fragmentação do estoque atual poderia comprometer o tratamento de pacientes em estado grave. “Se a gente descentralizasse o modelo que tem hoje, poderia acontecer de eu ter números insuficientes de ampolas para quando ocorressem acidentes graves”, afirmou.

O secretário exemplificou que, enquanto um acidente moderado exige cerca de seis ampolas, casos graves podem necessitar de 12. Caso o estoque fosse distribuído de forma pulverizada pelos municípios, haveria o risco de uma unidade de saúde possuir o soro, mas não em quantidade suficiente para salvar a vida do paciente, inviabilizando o tratamento eficaz.

Perspectivas e o “Modelo do Ceará”
A Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) estuda alternativas para o futuro, baseadas na experiência bem-sucedida aplicada no estado do Ceará. Para replicar a ação, o plano consiste em treinar equipes locais para realizar o encaminhamento adequado, permitindo que, em vez de o paciente se deslocar até o polo, o soro possa ser transportado até ele.

No entanto, Alexandre Motta ressaltou que essa mudança depende não apenas de um ajuste na remessa de soros pelo Ministério da Saúde, mas também de um cronograma de treinamento técnico das equipes das unidades de saúde. Por enquanto, a centralização nos 21 polos vigentes segue sendo a estratégia adotada para garantir que nenhum paciente fique sem o atendimento completo em casos de alta complexidade.

Tags