Volume elevado de chuvas já provoca impactos em rodovias, reservatórios e áreas urbanas do RN, como a sangria da Barragem do Lima, em Patu. | Foto: Reprodução/Blog Gláucia Lima

Cotidiano

Clima RN sob alerta máximo: Inmet emite aviso vermelho, rodovia é interditada e açude sangra após temporais

Chuvas intensas atingem interior e Região Metropolitana de Natal, provocam interdição na RN-041 e elevam risco de alagamentos e deslizamentos

por: NOVO Notícias

Publicado 2 de março de 2026 às 13:07

O RN entrou em estado de atenção máxima para chuvas intensas nas próximas horas. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) publicou três avisos meteorológicos para o estado, incluindo um alerta vermelho de grande perigo válido até 23h59 desta segunda-feira (2), indicando risco elevado de alagamentos, transbordamentos de rios, deslizamentos, ventos fortes e interrupções no fornecimento de energia elétrica. O cenário já provocou impactos em municípios do interior e exige atenção redobrada na Grande Natal.

O aviso vermelho, mais grave, prevê acumulados superiores a 60 milímetros por hora ou acima de 100 milímetros por dia em 36 municípios, especialmente nas regiões do Alto Oeste e do Seridó. Estão na área de maior risco cidades como Pau dos Ferros, Caicó, Parelhas, São Miguel, Martins, Luís Gomes, Alexandria, Tenente Ananias e Serra Negra do Norte. Nessas localidades, o solo encharcado aumenta a probabilidade de danos em áreas vulneráveis e estradas.

O alerta laranja, classificado como perigo, abrange praticamente todo o estado até a noite de terça-feira (3). A previsão aponta chuvas entre 30 e 60 milímetros por hora, com ventos que podem variar de 60 a 100 km/h. Municípios como Natal, Parnamirim, Mossoró, São Gonçalo do Amarante, Ceará-Mirim, Macau, Assú, Currais Novos e João Câmara estão dentro da área de abrangência. O Inmet destaca risco de quedas de galhos, descargas elétricas e falhas no fornecimento de energia.

No litoral Sul, outro aviso de perigo segue ativo até o fim desta segunda-feira para Baía Formosa, Canguaretama, Pedro Velho, Tibau do Sul e Vila Flor. Nessas cidades, há possibilidade de acumulados significativos com potencial para alagamentos e transbordamentos pontuais.

Impactos já registrados pelas chuvas

Os efeitos das chuvas do fim de semana já são visíveis. Em Santa Cruz, após um acumulado aproximado de 200 milímetros, o açude do Assentamento Santa Rita, na zona rural, voltou a sangrar depois de 11 anos. Embora seja um reservatório de pequeno porte, ele tem papel estratégico para os moradores da comunidade, já que depende exclusivamente da água da chuva para atingir sua capacidade máxima.

As barragens da Dinamarca e Barra de São Pedro, ambas no município de Serra Negra do Norte, sangraram neste final de semana após as chuvas intensas que atingem a região. | Fotos: Reprodução/Blog Gláucia Lima

Na região Central, em Santana do Matos, a situação exigiu intervenção imediata. A Defesa Civil municipal identificou crateras e sinais de erosão em duas pontes na RN-041, no trecho que conecta a BR-304 à cidade. Diante do risco estrutural, o tráfego foi interditado no domingo à noite em ação conjunta com o Departamento de Estradas de Rodagem do RN (DER/RN).

O DER informou que acionou a empresa responsável pelas obras no trecho entre a BR-304 e a área urbana de Santana do Matos. Uma vistoria técnica foi programada para esta segunda-feira (2), com foco na cabeceira da ponte sobre o rio São Miguel, para avaliação e execução dos reparos necessários. A orientação é que motoristas evitem a área até nova liberação oficial.

Chuvas acima da média e previsão para o trimestre

De acordo com boletim da Unidade Instrumental de Meteorologia da Empresa de Pesquisa Agropecuária do RN (Emparn), fevereiro registrou chuvas em todas as regiões do estado, com distribuição considerada regular ao longo do mês. Em alguns municípios, os acumulados ultrapassaram 400 milímetros, como em Rafael Godeiro e Portalegre, superando a média histórica.

Para o trimestre março, abril e maio, a previsão é de precipitações dentro da normalidade climatológica. Segundo o meteorologista Gilmar Bristot, o comportamento dos oceanos — com atuação de La Niña em intensidade fraca no Pacífico e variações térmicas no Atlântico — influencia diretamente o padrão de chuvas no Nordeste.

Março e abril estão entre os meses mais chuvosos do ano no interior do estado, impulsionados principalmente pela atuação da Zona de Convergência Intertropical. No Alto Oeste e no Agreste, os volumes podem superar 200 milímetros. Em maio, a tendência é de redução gradual das chuvas no Oeste e na região Central, com deslocamento das instabilidades para o Leste e parte da Região Metropolitana de Natal.

O cenário reforça a importância do acompanhamento constante dos boletins oficiais, especialmente para moradores de áreas de risco, produtores rurais e motoristas que circulam pelas rodovias estaduais.

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