Registro de Ghislaine Maxwell, Jeffrey Epstein and Jean-Luc Brunel

Cotidiano

Investigação “Recrutador” de Jeffrey Epstein visitou Natal em busca de mulheres

Arquivos divulgados pelo Governo dos Estados detalham trocas de e-mails sobre tentativa de aliciamento de mulheres no Rio Grande do Norte; empresário francês Jean-Luc Brunel visitou o RN em novembro de 2010

por: NOVO Notícias

Publicado 9 de fevereiro de 2026 às 16:30

Sempre com um sorriso no rosto e ar de galanteador, o francês Jean-Luc Brunel circulava pelo mundo inteiro à procura de rostos (e corpos) bonitos para o seu casting de modelos. Fundador da agência MC2, ele desembarcou no Rio Grande do Norte em novembro de 2010 para mais uma missão: encontrar jovens mulheres. Os alvos, porém, não iriam estrelar capas de revista ou ações publicitárias; elas seriam enredadas no esquema de tráfico sexual e exploração de mulheres do bilionário norte-americano Jeffrey Epstein, que financiava atividades de recrutamento do francês ao redor do mundo.

Documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, no dia 30 de janeiro, citam o Rio Grande do Norte, com referências diretas a Natal, como um dos locais de aliciamento para o esquema gerido por Jeffrey Epstein. O caso foi revelado na semana passada pelo NOVO Notícias.

E-mail de Jean-Luc para Epstein

Os arquivos fazem parte do conjunto de provas, fotos e relatos colhidos pelo sistema judiciário norte-americano contra o bilionário. Os documentos trazem, ainda, a intensa troca de e-mails entre Jean-Luc Brunel e Epstein. Condenado por diversos crimes sexuais, o americano foi encontrado morto dentro de uma cela em 2019.

À frente da agência MC2, que recebia financiamento de Epstein, o francês tinha acesso a centenas de jovens de todo o mundo, muitas vindas de famílias humildes e convencidas pela promessa de uma carreira internacional de modelo.

Segundo a investigação do caso, Brunel conheceu Epstein nos anos 1980. Os dois foram apresentados por Ghislaine Maxwell — filha do magnata da mídia britânica Robert Maxwell e ex-companheira de Epstein. De acordo com o governo americano, a socialite foi figura central em todo o esquema, atuando como “pessoa de confiança” do magnata. Ela também seria a responsável por recrutar, aliciar e encaminhar adolescentes para abusos sexuais. Maxwell foi presa em 2020 e sentenciada a 20 anos de prisão.

Jean-Luc Brunel com Ghislaine Maxwell – Foto: DOJ/USA

Em 26 de novembro, às 8h, Brunel mandou um e-mail para Epstein: “Estou muito feliz por ter encontrado esta garota. Ela virá com a mãe em janeiro”, escreveu ele. Os documentos, contudo, registraram dificuldades no processo de recrutamento. Em dezembro de 2010, o interlocutor informou a Epstein que os pais da jovem haviam desistido após “buscarem informações online”. Jean-Luc afirmou que enfrentava resistência e que não era fácil convencer os familiares da potiguar. A identidade da mulher que seria levada aos Estados Unidos não foi revelada. Além de Natal, Brunel tentou levar mulheres de Fortaleza (CE) e Recife (PE).

De acordo com as mensagens divulgadas pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, outra situação de aliciamento foi registrada em Natal. Desta vez, o recrutamento ficou a cargo de uma mulher que mantinha relação de amizade com Epstein. A amiga do bilionário conseguiu convencer uma potiguar a ir até os Estados Unidos, com os custos de vistos arcados pelo americano. Contudo, as mensagens não deixam claro se a viagem de fato ocorreu.

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos não detalhou se as novas informações resultarão na abertura de investigações específicas envolvendo autoridades ou pessoas no Brasil. Até o momento, os documentos divulgados se limitam a registrar depoimentos e elementos já incorporados aos processos judiciais norte-americanos.

Jean-Luc Brunel foi alvo de diversas acusações de abuso sexual entre as décadas de 1990 e 2000. Ele foi preso em 2020, no aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, quando tentava deixar a França. O empresário foi encontrado morto em uma cela em Paris em 2022.

Tags