Viagens de Flávio Bolsonaro para visitar ex-banqueiro em SP foram pagas pelo Senado. | Foto: Pedro França/Agência Senado

Cotidiano

Segurança PSOL e Rede pedem à PGR investigação contra Flávio Bolsonaro por possível atentado à soberania

Parlamentares alegam usurpação de competência diplomática privativa da Presidência; defesa do senador sustenta busca por apoio internacional contra o crime

por: NOVO Notícias

Publicado 30 de maio de 2026 às 13:48

Deputados federais do PSOL e da Rede protocolaram uma representação na Procuradoria-Geral da República (PGR) para investigar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por suposto atentado à soberania nacional. O grupo questiona a atuação do parlamentar junto ao governo dos Estados Unidos para a classificação das facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas globais.

A representação sustenta que Flávio Bolsonaro e outros integrantes de sua família estimularam a intervenção estrangeira em assuntos internos do Brasil. O documento cita as reuniões do senador com o presidente Donald Trump e com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, ocorridas nos dias 26 e 27 de maio. Para os parlamentares, a medida administrativa dos EUA pode resultar em sanções econômicas a bancos brasileiros e abre a possibilidade jurídica de operações militares norte-americanas no País sem autorização do governo local.

Os autores do pedido argumentam que o senador usurpou competências que a Constituição Federal atribui exclusivamente ao Presidente da República, como manter relações com Estados estrangeiros e celebrar tratados internacionais. A peça jurídica afirma que Flávio Bolsonaro utilizou o mandato para convidar um governo estrangeiro a intervir no sistema financeiro e na integridade territorial brasileira, o que caracterizaria negociação contra os interesses nacionais.

Em nota oficial, o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da pré-campanha de Flávio Bolsonaro, classificou a representação como uma tentativa da esquerda de utilizar o Judiciário para fins políticos. Marinho afirmou que o objetivo da interlocução foi buscar apoio para asfixiar as finanças das facções criminosas e unir forças contra a violência. Ele declarou que a soberania deve garantir a segurança do cidadão e não servir de proteção a grupos criminosos.

O documento entregue à PGR é assinado pelos deputados Fernanda Melchionna, Sâmia Bomfim, Duda Salabert, Luiza Erundina, Heloísa Helena, Luizianne Lins e Chico Alencar. Além da abertura de inquérito policial federal, os parlamentares pedem que os fatos sejam comunicados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para apurar eventual abuso de poder ou influência estrangeira no processo eleitoral de 2026. A representação cita ainda reportagem do jornal The New York Times sobre a existência de meses de tratativas entre a família Bolsonaro e a gestão de Donald Trump sobre o tema.

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