A avaliação do governo é que, do conjunto das empresas vencedoras do leilão de arroz, uma maioria tem “fragilidades”. Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil
A avaliação do governo é que, do conjunto das empresas vencedoras do leilão de arroz, uma maioria tem “fragilidades”. Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

A Polícia Federal (PF) e a Controladoria-geral da União vão investigar se houve fraude no leilão aberto pelo governo federal para a compra de arroz. O edital foi anulado por suspeita de irregularidades e passará por uma revisão.

Duas corretoras ligadas a um ex-assessor do ex-secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Neri Geller, intermediaram a venda. As empresas vencedoras não têm expertise no setor – uma mercearia de bairro, uma fabricante de sorvetes e uma locadora de carros.

O secretário foi demitido. Foi ele quem ajudou a aproximar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) do agronegócio na campanha de 2022. A compra direta de arroz pelo governo foi anunciada como uma estratégia para evitar alta nos preços após as enchentes no Rio Grande do Sul.

Leia também:

O presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Edegar Pretto, confirmou que o edital foi anulado por suspeitas sobre a capacidade técnica e financeira das empresas. Não há nova data para o certame.

A Controladoria Geral fa União, por sua vez, divulgou nota na tarde desta quarta-feira (12) informando que também vai investigar “possíveis irregularidades na importação de arroz pela Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB)”.

De acordo com a nota, a CGU abriu investigação após ser provocada pela própria Conab. “A Companhia solicitou à CGU, por meio de ofício, que apurasse a regularidade do procedimento de leilão e se colocou à disposição para ajudar nas investigações, disponibilizando os documentos necessários”, diz a nota.

Confira o texto na íntegra:

“A Controladoria-Geral da União (CGU) abre investigação para apurar possíveis irregularidades na importação de arroz pela Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB). A iniciativa da CGU ocorre após um pedido formal da própria CONAB, que solicitou a apuração da regularidade do procedimento de leilão de importação. A Companhia solicitou à CGU, por meio de ofício, que apurasse a regularidade do procedimento de leilão e se colocou à disposição para ajudar nas investigações, disponibilizando os documentos necessários.

Além disso, a CONAB está conduzindo suas próprias investigações internas por meio de sua Corregedoria e também acionou a Polícia Federal para auxiliar no esclarecimento dos fatos.

Essas medidas demonstram um esforço conjunto entre as instituições para garantir a transparência e a correção dos processos envolvidos na importação do arroz.”