Polícia Federal afirma que registros indicam apenas troca de mensagens entre ministro do STF e banqueiro, sem acesso ao conteúdo das conversas. | Foto: Reprodução

Política

Investigação PF diz que não há indícios de crime em mensagens entre Moraes e banqueiro investigado

Conversas teriam sido enviadas em modo de visualização única, o que impede acesso ao conteúdo; caso motivou abertura de apuração sobre possível vazamento

por: NOVO Notícias

Publicado 6 de março de 2026 às 19:58

A Polícia Federal avalia que não existem elementos que indiquem crime nas mensagens trocadas entre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, e o banqueiro Daniel Vorcaro. O entendimento da corporação se baseia no fato de que o conteúdo das conversas não pode ser recuperado, já que as mensagens teriam sido enviadas em modo de visualização única, que desaparece após a leitura.

Os registros que chegaram à PF indicam apenas que houve troca de mensagens entre Moraes e Vorcaro, sem qualquer acesso ao teor do que foi discutido. Segundo fontes da investigação, sem o conteúdo das conversas não é possível estabelecer conclusões ou levantar suspeitas sobre eventual irregularidade.

Por essa razão, delegados da Polícia Federal consideram que não há base para produzir um relatório específico ao Supremo Tribunal Federal relatando o episódio. A situação difere de outros casos analisados pela corporação, em que havia elementos concretos para aprofundar a apuração.

Interpretação sobre registros

A investigação também analisou anotações encontradas em arquivos de bloco de notas atribuídos a Vorcaro. Alguns desses registros foram associados, em reportagens, a mensagens que teriam sido enviadas ao ministro do STF.

No entanto, investigadores afirmam que não há prova de que essas anotações tenham relação direta com Moraes. A associação foi feita a partir da coincidência de horários entre os registros escritos e os momentos em que teria ocorrido troca de mensagens. Para integrantes da PF, esse tipo de inferência não permite afirmar que se tratam do mesmo diálogo.

De acordo com fontes da corporação, a orientação atual é evitar conclusões baseadas apenas em deduções, sem evidências verificáveis. O objetivo é garantir que eventuais investigações criminais se apoiem exclusivamente em elementos objetivos.

Dados sob sigilo

O relatório contendo os registros das mensagens permanece sob controle da Polícia Federal, da Procuradoria-Geral da República (PGR) e da defesa de Vorcaro. Já a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS tem acesso apenas a dados armazenados na nuvem do celular do banqueiro.

Segundo relatos, esses arquivos não incluem qualquer troca de mensagens entre Moraes e Vorcaro. O que aparece são apenas textos soltos registrados em bloco de notas, sem identificação de destinatário.

Investigação sobre vazamento

Diante da divulgação do caso, foi aberta uma investigação para apurar possível vazamento de informações. A medida foi determinada pelo ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal, após solicitação da Polícia Federal.

A apuração busca esclarecer se o eventual vazamento teria partido da própria PF, da Procuradoria-Geral da República ou da defesa do banqueiro. A corporação também questionou a divulgação de imagens que mostram Vorcaro durante sua transferência para Brasília.

Tags