Tijolo ecológico pode chegar ao mercado como alternativa sustentável e acessível - Foto: Cícero Oliveira

Cotidiano

Sustentável Pesquisadores da UFRN desenvolvem tijolos ecológicos a partir de resíduos industriais

O produto é fabricado utilizando cinza do bagaço da cana-de-açúcar (CBC) e resíduo cerâmico (RC)

por: Sophia Araújo – AGIR/UFRN

Publicado 26 de dezembro de 2025 às 17:00

Pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) desenvolveram uma nova tecnologia aplicada ao setor da construção civil. O dispositivo patenteado consiste na utilização de resíduos industriais para a fabricação de tijolos ecológicos, unindo eficiência técnica, baixo custo e sustentabilidade. A invenção integra a linha de pesquisas conduzida no Laboratório de Propriedades Físicas de Materiais Cerâmicos (LAPFIMC), apresentando resultados expressivos em ensaios de resistência mecânica e durabilidade.

O produto é fabricado a partir da cinza do bagaço da cana-de-açúcar (CBC), coletada na Usina de Monte Alegre, em Mamanguape (PB), e do resíduo cerâmico (RC), utilizados como aditivos pozolânicos. Esses materiais, quando combinados ao solo, cimento ou cal, formam tijolos maciços ou vazados, que podem ser aplicados em alvenaria sem fins estruturais. O diferencial está na reação química entre os resíduos e os aglomerantes, que melhora as propriedades cimentantes e torna o produto mais resistente. “O tijolo ecológico atinge índices de resistência à compressão acima de 1 MPa e absorção de água inferior a 20%”, explica o inventor João Batista Duarte, técnico aposentado do LAPFIMC.

A patente, intitulada Tijolos de Solo-aglomerante Maciços e Vazados produzidos a partir da Combinação de Cimento e/ou Cal, Cinza do Bagaço da Cana-de-Açúcar (CBC) e Resíduo Cerâmico (RC) com Adição de Água, é fruto de um trabalho coletivo. Sob a orientação do professor Wilson Acchar, então responsável pelo LAPFIMC, a equipe reuniu pesquisadores da UFRN e do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Paraíba (IFPB), além do discente Leonardo do Nascimento Dias (IFPB), que atuou durante sua iniciação científica. Cada integrante teve papel essencial na execução dos experimentos e análises que resultaram no pedido de patente. 

Os resultados laboratoriais comprovam a viabilidade técnica do produto. Com resistência à compressão simples superior à dos tijolos convencionais de solo-cimento e menor absorção de água, a invenção mostra-se promissora para uso em obras de alvenaria não estrutural. Além disso, o processo produtivo exige menor consumo de cimento e cal, reduzindo significativamente os custos de fabricação.

Práticas construtivas sustentáveis

Além da inovação tecnológica, o uso de CBC e RC representa uma solução ambientalmente responsável. Esses resíduos, antes descartados em grande volume, agora encontram um destino útil, reduzindo o impacto ambiental causado por seu acúmulo.

“Do ponto de vista econômico, conseguimos diminuir o uso de aglomerantes sem comprometer a qualidade. Ambientalmente, damos um novo destino a resíduos que, de outra forma, seriam descartados de maneira inadequada”, afirma o inventor Vamberto Monteiro da Silva (IFPB). Ele destaca ainda que a pesquisa se insere no esforço global por práticas construtivas mais sustentáveis e compatíveis com a preservação dos recursos naturais. 

Exigências técnicas 

Durante o processo de desenvolvimento, os pesquisadores construíram protótipos em escala reduzida para testar a aplicação prática dos tijolos. As estruturas simulavam pequenas edificações, como casinhas para animais de estimação, permitindo a comparação do desempenho dos novos tijolos com os convencionais sob a ação da chuva, do vento e de variações de temperatura. “Os experimentos mostraram que o material atende plenamente às exigências técnicas, o que reforça sua viabilidade para uso real”, comenta Duarte.

Os resultados da pesquisa foram publicados em artigos científicos na revista Principia, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Paraíba (IFPB), em dezembro de 2022. As publicações detalham as etapas de fabricação, os ensaios realizados e os ganhos técnicos obtidos com o uso dos aditivos pozolânicos.

Após o processo de patenteamento, os pesquisadores buscarão a divulgação e a conscientização do setor produtivo da indústria da construção civil, visando à ampliação da fabricação desses tijolos em escala industrial. A expectativa é que o tijolo ecológico da UFRN/IFPB chegue ao mercado como uma alternativa sustentável e acessível, reafirmando o compromisso das universidades e institutos com a inovação tecnológica e o desenvolvimento ambientalmente sustentável. 

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