Cerca de 90% das informações de localização foram obtidas a partir de legendas e comentários, e não de geolocalização automática. | Foto: Reprodução
O uso do Instagram pode auxiliar no monitoramento em tempo real de derramamentos de petróleo no litoral brasileiro. A conclusão é de um estudo do Centro de Estudos do Mar da Universidade Federal do Paraná, publicado na revista científica Ocean and Coastal Research.
A pesquisa desenvolveu um protocolo para identificar, filtrar e georreferenciar publicações feitas por usuários da rede social. O método permite complementar sistemas tradicionais de vigilância ambiental com dados gerados espontaneamente pela população.
Foram analisadas postagens relacionadas ao desastre ambiental de 2019/2020 e a ocorrências mais recentes, entre 2022 e 2023. Ao todo, os pesquisadores validaram 312 registros de óleo em 170 localidades no primeiro período e 162 registros em 111 pontos no segundo.
No Rio Grande do Norte, já foram identificados 24 pontos com manchas de óleo desde 2019, distribuídos em 10 localidades. Os casos se concentram principalmente no litoral Sul, com maior incidência em Nísia Floresta e Tibau do Sul.
O estado foi um dos mais afetados pelo desastre de 2019, que atingiu o Nordeste entre setembro e dezembro daquele ano. A região também é considerada vulnerável ao descarte irregular de resíduos no oceano devido à rota internacional do Atlântico Sul.
A coleta utilizou cerca de 50 hashtags em português, como #ManchasDeOleo e #OleoNoNordeste. Após a busca, os pesquisadores realizaram filtragem manual para confirmar se as imagens retratavam resíduos de petróleo na água, na areia ou em organismos marinhos.
Cerca de 90% das informações de localização foram obtidas a partir de legendas e comentários, e não de geolocalização automática. Os dados foram anonimizados para preservar a privacidade dos usuários.
Segundo os autores, os registros obtidos pelas redes sociais se mostraram consistentes com dados científicos e permitiram identificar ocorrências não registradas por sistemas oficiais.
O estudo destaca o potencial da chamada ciência cidadã passiva, que utiliza informações compartilhadas pelo público para ampliar a coleta de dados. A estratégia permite cobertura em larga escala com baixo custo, especialmente em áreas extensas ou com pouca fiscalização.
Os pesquisadores também desenvolvem um novo projeto com uso de inteligência artificial para monitorar o aparecimento da caravela-portuguesa no litoral brasileiro. A proposta é cruzar dados de redes sociais com informações meteorológicas para prever ocorrências e reduzir riscos à população.
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