Mudança no traçado da BR-226 em Currais Novos deve permitir a exploração de ouro no subsolo da rodovia dentro do Projeto Borborema. | Foto: Reprodução/Alex Régis
Um acordo entre o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e a mineradora canadense Aura Minerals prevê a mudança no traçado de um trecho da BR-226 em Currais Novos, no Seridó. A alteração permitirá a exploração de depósitos de ouro localizados no subsolo da rodovia dentro do chamado Projeto Borborema, iniciativa de mineração que deverá operar na área pelos próximos anos, segundo informações do portal UOL.
Segundo a empresa, cerca de 670 mil onças de ouro — cada unidade equivalente a 31,1 gramas — estão localizadas sob o atual percurso da rodovia federal. O plano de exploração estima a retirada de aproximadamente 1,5 milhão de onças do metal ao longo de cerca de duas décadas de atividade mineradora.
De acordo com projeções da companhia, a exploração pode gerar receita líquida estimada em cerca de US$ 3,06 bilhões ao longo do período de operação, valor equivalente a aproximadamente R$ 16 bilhões considerando a cotação atual.
O DNIT informou que o trecho entre os quilômetros 146 e 150 da BR-226 deixará de fazer parte do traçado atual da rodovia. No local passam duas linhas de telecomunicações em fibra óptica — uma aérea e outra subterrânea — além de uma rede de energia elétrica. Para manter o fluxo de veículos, será construído um novo segmento rodoviário com cerca de seis quilômetros de extensão, substituindo o trecho original de aproximadamente 5,3 quilômetros.
Em nota enviada ao UOL, o DNIT informou que o acordo de cooperação técnica ainda está em fase de assinatura. O órgão federal também destacou que todos os custos da nova estrada serão assumidos pela empresa responsável pelo projeto de mineração. Segundo o departamento, a alteração no traçado só será oficializada após a conclusão completa do novo trecho da rodovia, garantindo a continuidade do tráfego e evitando prejuízos para motoristas e usuários da BR-226.
Pelo cronograma divulgado pela mineradora, as obras devem durar cerca de 14 meses. A previsão é que os trabalhos comecem em 14 de abril e sejam concluídos até 30 de maio de 2027. Durante a construção, devem ser escavados aproximadamente 327,8 mil metros cúbicos de material.
O Projeto Borborema reúne três concessões minerárias distribuídas em uma área de cerca de 29 quilômetros quadrados. O plano de operação prevê a instalação de uma mina a céu aberto, com escavações que podem alcançar até 300 metros de profundidade.
A empresa estima uma taxa média de recuperação metalúrgica de 92,1%, o que significa que, a cada 100 gramas de ouro presentes no minério processado, cerca de 92,1 gramas poderão ser recuperadas.
Os depósitos minerais ficam no cinturão geológico do Seridó, região onde está localizado o Seridó Geoparque Mundial da UNESCO, reconhecido internacionalmente em 2022. O geoparque abrange seis municípios da região: Acari, Carnaúba dos Dantas, Cerro Corá, Currais Novos, Lagoa Nova e Parelhas.
Dados operacionais da empresa indicam que, até 2025, cerca de 198 mil onças de ouro já haviam sido extraídas no projeto. No mesmo período, o custo operacional foi estimado em US$ 1.009 por onça produzida, com Ebitda ajustado de US$ 76,5 milhões.
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