Decisão da Opep+ ocorre em cenário de instabilidade política e excesso de oferta no mercado global. | Foto: Reuters/Maxim Shemetov

Economia

Economia Opep+ decide manter produção de petróleo estável em meio à crise na Venezuela

Grupo ignora tensões internas e queda forte dos preços globais do petróleo em reunião deste domingo

por: NOVO Notícias

Publicado 4 de janeiro de 2026 às 15:35

A Opep+ decidiu manter estável a produção de petróleo durante reunião realizada neste domingo (4), apesar do cenário de instabilidade política envolvendo países produtores e da recente crise na Venezuela. A decisão foi confirmada em comunicado oficial do grupo, que reúne alguns dos maiores exportadores de petróleo do mundo.

O encontro ocorreu em meio à queda acumulada de mais de 18% nos preços do petróleo em 2025, a maior retração anual desde 2020, impulsionada por preocupações com excesso de oferta no mercado internacional.

Participaram da reunião os oito países que lideram o acordo da Opep+: Arábia Saudita, Rússia, Emirados Árabes Unidos, Cazaquistão, Kuwait, Iraque, Argélia e Omã. Juntos, esses produtores respondem por cerca de metade do petróleo consumido no mundo.

Entre abril e dezembro de 2025, o grupo havia ampliado as metas de produção em aproximadamente 2,9 milhões de barris por dia, o equivalente a quase 3% da demanda global. No entanto, em novembro, os países decidiram suspender novos aumentos previstos para janeiro, fevereiro e março deste ano.

Segundo um delegado da Opep+, a reunião deste domingo foi breve e realizada de forma virtual, sem discussão específica sobre a situação da Venezuela.

O grupo informou que uma nova reunião está marcada para o dia 1º de fevereiro.

Tensões entre membros pressionam o grupo

A decisão ocorre em um momento de tensão interna, especialmente entre Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, aliados históricos que enfrentam divergências recentes ligadas ao conflito no Iêmen. No mês passado, um grupo alinhado aos Emirados tomou territórios controlados pelo governo apoiado pelos sauditas, aprofundando um racha considerado o mais significativo entre os dois países em décadas.

Apesar disso, a Opep já demonstrou no passado capacidade de manter a coordenação do mercado mesmo diante de conflitos internos, como ocorreu durante a Guerra Irã-Iraque, priorizando decisões econômicas em detrimento de disputas políticas.

Crises paralelas afetam produtores

Além das divisões internas, a Opep+ enfrenta pressões externas. As exportações de petróleo da Rússia seguem afetadas por sanções impostas pelos Estados Unidos em razão da guerra na Ucrânia. Já o Irã enfrenta instabilidade interna, com protestos e ameaças de novas ações internacionais.

No último sábado (3), os Estados Unidos capturaram o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. O presidente americano, Donald Trump, afirmou que Washington assumiria o controle do país até que fosse possível uma transição de governo, sem detalhar como isso ocorreria.

A Venezuela detém as maiores reservas de petróleo do mundo, superiores às da própria Arábia Saudita. No entanto, sua produção caiu drasticamente ao longo dos últimos anos, em razão de má gestão e sanções internacionais.

Perspectiva de produção segue limitada

Analistas avaliam que, mesmo com eventuais investimentos prometidos por empresas americanas, é improvável que a produção venezuelana cresça de forma significativa no curto ou médio prazo. A expectativa é que o país leve anos para recuperar sua capacidade produtiva.

Nesse contexto, a decisão da Opep+ de manter a produção estável busca evitar maior pressão sobre os preços e preservar o equilíbrio do mercado global de petróleo.

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