Número de idosos no mercado de trabalho cresce 53% em uma década

Cotidiano

Emprego Número de idosos no mercado de trabalho cresce 53% em uma década

Levantamento da Nexus aponta que 8,7 milhões de pessoas nessa faixa etária estão ocupadas, mas a maioria não possui rede de proteção social ou carteira assinada

por: NOVO Notícias

Publicado 12 de junho de 2026 às 13:35

Uma em cada quatro pessoas com 60 anos ou mais está inserida no mercado de trabalho no Brasil. Os dados, apurados pela consultoria Nexus com base na PNAD Contínua do IBGE, indicam que a taxa de ocupação desse grupo atingiu 25% em 2025, o maior patamar registrado desde 2016.

O contingente de profissionais nessa faixa etária saltou de 5,7 milhões para 8,7 milhões em dez anos, o que representa um aumento de 53%. O ritmo de inserção laboral superou o crescimento demográfico do próprio grupo, que registrou alta de 37% no mesmo período.

Apesar da expansão numérica, 53% dos ocupados com 60 anos ou mais atuam na informalidade. O índice supera a média nacional de informalidade, que fechou o último ano em 38%. Esse grupo é composto por trabalhadores sem carteira assinada, autônomos, prestadores de “bicos” e consultores sem contrato formal.

A permanência na atividade econômica é atribuída ao aumento da longevidade e a fatores econômicos, como a necessidade de complementação de renda, o maior custo de vida e as transformações nas regras de aposentadoria. Segundo a Nexus, o prolongamento da vida laboral nem sempre ocorre em condições de estabilidade ou proteção social.

A taxa de desemprego para os trabalhadores acima de 60 anos recuou de 4%, em 2016, para 2% em 2025. O volume de desocupados nessa idade é de 218 mil pessoas, número 8,3 vezes menor do que o de jovens desempregados (1,8 milhão). No entanto, o levantamento aponta que o baixo desemprego entre idosos reflete a migração forçada para o mercado informal, uma vez que esse público não possui condições financeiras de permanecer sem remuneração.

O diagnóstico conclui que a qualidade dos vínculos e as garantias trabalhistas permanecem como os principais desafios estruturais para a ocupação dessa parcela da população. Enquanto o número de jovens trabalhando cresceu 8% na década, a ocupação dos profissionais 60+ registrou um salto seis vezes maior no mesmo intervalo.

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