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Exportações a partir do Porto de Natal - Foto: Codern

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Economia Nova configuração tarifária dos EUA reduz impactos sobre exportações do RN

Decisão da Suprema Corte norte-americana e substituição do “tarifaço” por tarifa global temporária de 15% restabelecem ambiente menos restritivo para setores estratégicos potiguares

por: NOVO Notícias

Publicado 23 de fevereiro de 2026 às 17:30

A Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Rio Grande do Norte (SEDEC) divulgou análise técnica sobre os impactos das recentes mudanças na política tarifária dos Estados Unidos nas exportações brasileiras e, especificamente, na pauta exportadora do Rio Grande do Norte.

Em fevereiro de 2026, a Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu que o governo norte-americano não poderia utilizar a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) como fundamento jurídico para impor tarifas amplas e generalizadas sobre importações. A decisão resultou na anulação das tarifas recíprocas de 10% e das sobretaxas adicionais de até 40% aplicadas ao longo de 2025 a diversos produtos brasileiros, no contexto do chamado “tarifaço”.

Em resposta ao entendimento da Corte, o presidente Donald Trump anunciou a criação de uma nova tarifa global temporária de 15%, com base na Seção 122 da Lei Comercial de 1974. A medida tem validade inicial de até 150 dias, podendo ser prorrogada, e incide de forma uniforme sobre importações provenientes de todos os países, incluindo o Brasil, funcionando como adicional às alíquotas regulares de cada produto.

De acordo com levantamento da Global Trade Alert, o Brasil está entre os países que registraram maior redução na tarifa média após a reconfiguração das medidas adotadas pelos Estados Unidos. A estimativa aponta queda de aproximadamente 13,6 pontos percentuais na tarifa média incidente sobre produtos brasileiros, quando comparado o cenário do auge do tarifaço com o novo arranjo baseado na tarifa global de 15%.

Impactos para o Rio Grande do Norte

Conforme análises da Equipe Técnica da SEDEC, a nova configuração tarifária representa redução relevante da carga média sobre as exportações brasileiras, ainda que permaneça um custo adicional frente ao cenário pré-2025.

Sob a ótica do Rio Grande do Norte, o novo contexto tende a produzir efeitos positivos, especialmente para setores estratégicos da pauta exportadora estadual, como o salineiro e o de pescado.

O setor salineiro potiguar — responsável por parcela expressiva da produção nacional de sal marinho — passa a operar em ambiente tarifário menos adverso do que o verificado durante a escalada protecionista de 2025. A redução da tarifa média amplia a previsibilidade comercial e contribui para a manutenção dos fluxos exportadores, mesmo com a incidência adicional de 15%.

No caso do pescado, segmento relevante para polos produtivos do estado, a retirada das sobretaxas adicionais reduz distorções abruptas de preço e melhora as condições de competitividade no mercado norte-americano. Embora o adicional de 15% ainda represente custo relevante, o novo cenário amplia as possibilidades de reinserção, consolidação e celebração de contratos internacionais de médio e longo prazo.

Aplicação de tarifas por segmento

Segundo informações divulgadas pelo InfoMoney (2026), a aplicação atual de tarifas nos Estados Unidos está estruturada da seguinte forma:

  • Aço – 50% (ativa)
  • Alumínio – 50% (ativa)
  • Peças de cobre – 50% (ativa)
  • Madeira – 10% (ativa)
  • Demais produtos – nova tarifa adicional de 15%

A substituição de sobretaxas que chegaram a 50% por uma tarifa global temporária de 15% representa redução significativa do nível de proteção extraordinária anteriormente imposto, contribuindo para restabelecer parte da competitividade dos produtos brasileiros no mercado norte-americano.

Conclusões estratégicas

A análise técnica da SEDEC aponta que:

  • A decisão judicial de 2026 reduziu substancialmente o grau de restrição tarifária imposto aos produtos brasileiros.
  • O setor de pescado tende a registrar ganhos mais perceptíveis, diante da retirada das sobretaxas adicionais que haviam comprometido sua competitividade.
  • O setor salineiro estratégico para o Rio Grande do Norte passa a operar em ambiente menos restritivo.
  • A volatilidade da política comercial dos Estados Unidos e o caráter temporário da nova tarifa exigem monitoramento técnico contínuo.

Monitoramento permanente e inteligência comercial

Em um cenário internacional marcado por tensões geopolíticas, reconfigurações comerciais e elevada volatilidade regulatória, a inteligência comercial integrada a estratégias qualificadas de Relações Internacionais consolida-se como ativo estratégico para sustentar e ampliar a competitividade do Rio Grande do Norte no comércio exterior.

Diante desse quadro, a SEDEC reforça a importância da manutenção de acompanhamento técnico permanente do arcabouço regulatório internacional, não apenas para mitigar riscos decorrentes de mudanças abruptas na política comercial norte-americana, mas também para identificar oportunidades e orientar, de forma proativa, políticas públicas voltadas ao fortalecimento da inserção internacional do estado.