O presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou nesta 5ª feira (2.dez.2021) que o possível candidato à Presidência da República em 2022 e ex-ministro Sergio Moro (Podemos) é “palhaço”, “mentiroso” e “não tem caráter”. “Esse cara está mentindo descaradamente. Quer ser candidato, é um direito dele. […] Faz um papel de palhaço, sem caráter, está se comportando como jornalista da Folha, ou do Antagonista. Está de brincadeira. Mentiroso deslavado”, disse em transmissão ao vivo nas redes sociais.

Em entrevista à Rádio Jovem Pan Paraná, Moro acusou Bolsonaro de comemorar a saída do ex-presidente Lula (PT) da prisão. “Ele não trabalhou para manter a execução em segunda instância”, disse. Segundo Bolsonaro, a declaração do ex-aliado representa “falta de caráter” de alguém que “saiu pela porta dos fundos” de seu governo.

“Agora, ele chega aqui, que ser candidato, é um direito dele, tá certo? Agora, atacando aí, dizendo que no dia 8 de novembro de 2019 –ele era ministro– e eu comemorei Lula livre. Pelo amor de Deus. Falta de caráter. Saiu do governo pela porta dos fundos. Traindo a gente”.

O presidente ainda voltou a afirmar que Moro trocou uma possível indicação ao STF pela substituição do então diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo. As movimentações na corporação teriam sido o estopim para a saída de Moro do governo. Bolsonaro fez a mesma afirmação em depoimento no inquérito que apura possível interferência política na PF.

“Querendo trocar o chefe da Polícia Federal, o diretor-geral da Polícia Feral, com a sua indicação para o Supremo: ‘Você me indica para o Supremo e daí você troca o diretor-geral’. O diretor-geral está em lei, a atribuição é minha trocar, não é nem o ministro, mas mesmo assim deixei nomear o senhor [Maurício] Valeixo”.

Bolsonaro ainda citou o episódio que ficou conhecido como “Vaza Jato”. Na ocasião, supostas trocas de mensagens entre Moro, enquanto ainda era juiz federal, e o então procurador da República Deltan Dallagnol vazaram.

“Quando estourou a Vaza Jato, para fortalecê-lo, porque ele estava abatido, e reclamou aqui: ‘Dallagnol não apagava as mensagens, eu apagava’. Fui com ele no evento da Marinha para dar moral para ele, prestigiando o Moro porque ele estava muito abatido. Tive acesso a muita coisa que aconteceu lá, vergonhosas trocas de informações que eu tive conhecimento depois, mas dando moral para ele”, disse Bolsonaro, citando uma série de aparições públicas ao lado do ex-ministro.