Um diagnóstico do Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) aponta que 1.288 crianças e adolescentes aguardam atendimento psicológico na rede municipal de Mossoró. Os dados constam no Relatório Técnico nº 002/2026, elaborado por promotores públicos com base em informações da Secretaria Municipal de Saúde.
O levantamento indica que 99,1% das solicitações estão pendentes, o que revela um gargalo na regulação do sistema. Entre os casos, 321 são classificados como prioridade 0, considerados emergenciais, e 346 como prioridade 1, de urgência, sem atendimento imediato.
A maior parte da fila é composta por crianças. Ao todo, 988 solicitações, o equivalente a 76,7% do total, são de pacientes nessa faixa etária. Desses, 337 estão na primeira infância, entre 0 e 6 anos. O público masculino representa 61,7% da demanda, com 795 casos, enquanto o feminino soma 493.
O relatório também aponta que a espera não é recente. Cerca de 388 pacientes aguardam entre um e dois anos pelo primeiro atendimento. O documento classifica esse grupo como demanda crônica.
A análise técnica levanta a possibilidade de subnotificação do tempo de espera e aponta indícios de retenção de solicitações no sistema. Outro fator identificado é a fragilidade no preenchimento dos diagnósticos. Em 96,1% dos casos, os pedidos utilizam códigos genéricos, como o Z00, o que dificulta a triagem e a definição de prioridades.
Durante fiscalização realizada em março no Ambulatório Materno Infantil Dr. Raimundo Medeiros Fernandes (AMI), foi identificado que o serviço conta com quatro psicólogos com carga de 20 horas semanais. Cada profissional atende, em média, 60 pacientes por mês. Os contratos desses profissionais têm previsão de encerramento nos próximos dias.
O relatório aponta que a estrutura atual é insuficiente para atender à demanda, especialmente na primeira infância, fase considerada estratégica para o desenvolvimento. O AMI é responsável pelo diagnóstico inicial, etapa que tende a se prolongar diante da fila existente.
Na zona rural, foram registradas 188 solicitações. A Unidade Básica de Saúde Marina Ferreira, na comunidade de Barrinha, concentra 52 casos em espera.
O documento também identifica sobreposição de demandas. Pelo menos 82 crianças que aguardam atendimento psicológico também estão na fila por acompanhamento psicopedagógico, o que indica associação entre dificuldades de aprendizagem e sofrimento mental.
A análise foi elaborada pela equipe técnica das Promotorias da Infância de Mossoró e aponta um quadro de sobrecarga no sistema de saúde municipal, com déficit de cobertura no atendimento psicológico infantojuvenil.
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