"Os acontecimentos, os personagens são verdadeiros, mas estão sempre sujeitos a novas descobertas, novos estudos e novas interpretações", disse Laurentino Gomes. Foto: Reprodução

"Os acontecimentos, os personagens são verdadeiros, mas estão sempre sujeitos a novas descobertas, novos estudos e novas interpretações", disse Laurentino Gomes. Foto: Reprodução

Cotidiano

História Laurentino Gomes comenta estudo de físico potiguar que aponta o RN como local do ‘descobrimento’ do Brasil

Escritor nacionalmente conhecido comentou em rede social o recente artigo científico que aponta o Rio Grande do Norte como ponto onde os portugueses chegaram ao Brasil em 1500, o que contesta a versão oficial, de que o “descobrimento”foi na Bahia

por: NOVO Notícias

Publicado 15 de abril de 2026 às 15:26

“Aonde mesmo chegou a esquadra de Pedro Álvares Cabral ao Brasil, no dia 22 de abril de 1500? Foi em Porto Seguro, na Bahia, ou teria sido em outro lugar, por exemplo, no Rio Grande do Norte?”. A pergunta está sendo feita e tem uma resposta comentada pelo escritor Laurentino Gomes, autor dos livros “1808”, “1822”, “1889” e “Escravidão”.

A publicação foi feita na terça-feira (14) e cita o físico Carlos Chesman, da UFRN, que é um dos autores de artigo científico internacional no qual o Rio Grande do Norte é apontado como o local da chegada dos portugueses ao Brasil; e não a Bahia. A postagem também cita Daliana cascudo, neta do folclorista Câmara Cascudo, um dos primeiros que contestou a versão de que a Bahia foi o ponto de chegada dos portugueses.

Assista e leia abaixo o que disse Laurentino Gomes sobre a possibilidade do Brasil ter sido “descoberto” no Rio Grande do Norte:

Assista o vídeo completo:

“Aonde mesmo chegou a esquadra de Pedro Álvares Cabral ao Brasil, no dia 22 de abril de 1500? Foi em Porto Seguro, na Bahia, ou teria sido em outro lugar, por exemplo, no Rio Grande do Norte?

Bem, essa é uma das muitas polêmicas e muitos mistérios envolvendo a chegada dos portugueses ao Brasil, 526 anos atrás. Até recentemente, todo mundo achava que tinha sido mesmo Porto Seguro, na Bahia. Da onde vem essa informação?

Num estudo que o imperador Dom Pedro II, no século XIX, encomendou a um historiador chamado Francisco Adolfo de Varnhagen, e que, analisando a carta do escrivão da esquadra de Cabral, Pero Vaz de Caminha, chegou à conclusão de que teria sido Porto Seguro.

A carta de Caminha cita um grande monte avistado do mar, que o Cabral deu o nome de Monte Pascoal, porque era a época da festa da Páscoa. Fala de serras verdejantes, descreve rios, lagoas, os indígenas que habitavam essa região, e que levavam a crer que seria a Bahia.

Recentemente, no entanto, surgiram outras hipóteses. O grande folclorista potiguar Câmara Cascudo passou a defender que teria sido o Rio Grande do Norte. Em 2025, um grupo de pesquisadores físicos analisou as distâncias, correntes marítimas, os relatos da carta de Pero Vaz de Caminha e também afirmou que teria sido o Rio Grande do Norte.

Mas será que é isso mesmo? Infelizmente, não dá para cravar com certeza, porque a carta de Pero Vaz de Caminha é o único documento que descreve esse grande acontecimento na história do Brasil e não é conclusivo. Tanto pode ser a Bahia quanto o Rio Grande do Norte.

Mas também revela um lado fascinante da história: os acontecimentos, os personagens são verdadeiros, mas estão sempre sujeitos a novas descobertas, novos estudos e novas interpretações.”

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