Hemocentro do RN convoca população a doar sangue no início de 2026 para garantir atendimento nos hospitais. | Foto: Divulgação/Ministério da Saúde

Cotidiano

Saúde Junho Vermelho: mitos sobre doação de sangue ainda afastam voluntários e preocupam especialistas

Hematologista e professor da UnP/Inspirali reforça que doar sangue é seguro, não enfraquece o organismo e pode beneficiar até quatro pessoas

por: NOVO Notícias

Publicado 12 de junho de 2026 às 22:04

O medo de contrair doenças, a crença de que doar sangue enfraquece o organismo e a ideia de que alguns tipos sanguíneos são menos importantes ainda afastam muitos brasileiros dos hemocentros. No Junho Vermelho, campanha nacional de incentivo à doação voluntária, especialistas alertam que a desinformação continua sendo um dos principais desafios para manter os estoques de sangue em níveis seguros.

O médico hematologista e professor da Universidade Potiguar (UnP), integrante da Inspirali, ecossistema que atua na gestão de 15 escolas médicas em diversas regiões do Brasil, Fábio Andrade, afirma que a doação é um procedimento seguro e indispensável para o funcionamento da rede de saúde. E, diferente do que alguns pensam, o sangue não pode ser fabricado em laboratório. “O sangue só pode ser obtido por meio da solidariedade de pessoas saudáveis que se dispõem a doar”, explica.

Uma única doação pode beneficiar até quatro pessoas. O material coletado é utilizado em cirurgias, atendimentos de urgência e emergência, tratamentos oncológicos, doenças hematológicas e diversas outras situações que dependem de transfusões para garantir a recuperação ou a sobrevivência dos pacientes.

De acordo com Fábio, dentre os mitos mais comuns está o receio de contrair alguma doença durante o procedimento, mas esse risco não existe. “Todo o material utilizado é estéril, descartável e usado uma única vez. O processo segue protocolos rigorosos de segurança para proteger os doadores”, garante.

Outra crença recorrente é a de que doar sangue provoca fraqueza ou traz prejuízos à saúde. Segundo o hematologista, a doação só ocorre após uma avaliação clínica que garante que o voluntário esteja apto para realizar o procedimento: “Quando o doador atende aos critérios exigidos, o procedimento é seguro e o organismo recompõe naturalmente o volume sanguíneo doado”.

O professor também chama atenção para mais um equívoco frequente: a ideia de que alguns tipos sanguíneos são menos importantes do que outros. “Há quem pense que seu tipo sanguíneo não faz diferença, mas todos têm papel fundamental para manter os estoques dos hemocentros em níveis seguros. A necessidade de sangue é permanente”, destaca.

A preocupação se intensifica em períodos como o inverno, quando as doações costumam diminuir devido ao aumento de doenças respiratórias, viagens e férias escolares. Enquanto isso, a demanda dos hospitais segue constante. “A necessidade de sangue não tira férias. Os pacientes continuam precisando de transfusões todos os dias do ano”, lembra o médico.

Na prática clínica, Fábio Andrade acompanha de perto o impacto da doação na vida de pacientes que dependem de transfusões para continuar seus tratamentos. “Por trás de cada bolsa de sangue existe um doador anônimo que decidiu ajudar alguém que nunca conheceu. A doação de sangue é um ato de cidadania, amor ao próximo e responsabilidade social”, afirma.

Para o especialista, o Junho Vermelho é uma oportunidade de transformar informação em solidariedade. “Se você está saudável e apto a doar, procure um hemocentro. Um gesto que leva poucos minutos pode representar anos de vida para alguém. Doar sangue é um dos maiores exemplos de solidariedade que existem, porque é compartilhar algo que não pode ser comprado nem substituído: a oportunidade de viver.”

Conscientização

Como parte da campanha Junho Vermelho, a Universidade Potiguar promove ao longo do mês ações de conscientização sobre a importância da doação de sangue. A programação inclui atividades educativas nas salas de espera do Centro Integrado de Saúde (CIS) e uma mesa-redonda com o tema “Entre a Bolsa e a Vida: a doação de sangue como eixo da hematologia clínica, da bioquímica e da farmácia em saúde”.

Segundo a professora do curso de Medicina e responsável pelo Comitê de Voluntariado da UnP, Maísa Soares, a iniciativa reforça o compromisso da instituição com a formação cidadã e o fortalecimento das redes de assistência.

“No mês dedicado à conscientização sobre a doação de sangue, reforçamos a importância desse gesto de solidariedade que salva vidas diariamente. Convidamos toda a comunidade a se unir a essa causa, ajudando a manter os estoques abastecidos e oferecendo esperança a quem mais precisa”, acrescenta.

Quais os requisitos para doar sangue?

  • Estar em boas condições de saúde.
  • Ter entre 16 e 69 anos, desde que a primeira doação tenha sido feita até 60 anos (menores precisam de autorização).
  • Pesar no mínimo 50kg.
  • Estar descansado (ter dormido pelo menos 6 horas nas últimas 24 horas).
  • Estar alimentado (evitar alimentação gordurosa nas 4 horas que antecedem a doação).
  • Apresentar documento original com foto emitido por órgão oficial (Carteira de Identidade, Cartão de Identidade de Profissional Liberal, Carteira de Trabalho e Previdência Social).

No Rio Grande do Norte, as doações são coletadas pelo Hemonorte, que tem unidades na capital e no interior do estado.

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