Galinhos preserva isolamento com ruas de areia e transporte por charretes no litoral do RN. | Foto: Reprodução

Economia

Turismo Isolada e sem asfalto: Galinhos tem 2 mil moradores e guarda maior riqueza de sal do país

Município tem uma das menores densidades demográficas do RN e exige travessia de barco de 10 minutos pelo Rio Aratuá; carros comuns não entram no centro

por: NOVO Notícias

Publicado 23 de maio de 2026 às 19:20

Uma península com pouco mais de 2 mil habitantes, sem asfalto nas ruas e onde o carro comum não entra se consolidou como o coração de uma das maiores riquezas econômicas do RN. A 160 km de Natal, Galinhos abriga as monumentais pirâmides brancas das maiores salinas do Brasil, mas mantém um isolamento severo: o acesso ao vilarejo principal só é possível por meio de uma travessia de barco de dez minutos pelo Rio Aratuá, partindo do Porto de Pratagil.

Segundo informações do IBGE, a densidade demográfica do município é de apenas 6,17 pessoas por quilômetro quadrado, uma das menores de todo o estado. Esse cenário fez com que o transporte local se adaptasse de forma única, onde as charretes fazem o papel de táxi para deslocar moradores e visitantes entre as dunas e o vilarejo.

Conforme a Secretaria de Turismo do Estado (SETUR-RN), o município integra o Polo Costa Branca, junto a Macau e Areia Branca. A região é estratégica, já que o Rio Grande do Norte responde por cerca de 95% de todo o sal marinho produzido no país.

Saiba como visitar o vilarejo isolado no RN que abastece o Brasil com sal. | Foto: Reprodução

Para os visitantes, a logística exige planejamento. De acordo com os dados de transporte local, a travessia de barco funciona 24 horas por dia, com saídas regulares de hora em hora durante o período diurno. Os veículos particulares devem obrigatoriamente ser deixados em um estacionamento no Porto de Pratagil, na RN-402.

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O que fazer entre dunas, salinas e mangues?

A península reúne atrações que combinam mar, rio e cenários quase desérticos em distâncias curtas. Cada passeio segue a tábua de marés e o ritmo das charretes. Veja os destaques:

  • Farol de Galinhos: torre cilíndrica de 13 metros pertencente à Marinha do Brasil. Segundo a Fundação Joaquim Nabuco, foi erguida em 1931 e é o oitavo farol construído no estado, com alcance luminoso de 14 milhas náuticas.
  • Passeio de barco pelo Rio Aratuá: navegação pelos mangues e gamboas com paradas para banho, oferecida por barqueiros locais e jangadeiros.
  • Dunas do André e do Capim: formações de areia branca com vista panorâmica da península, acessíveis por barco ou caminhada pela praia.
  • Vilarejo de Galos: distrito de 500 habitantes em uma faixa de areia entre o oceano e o braço de mar, ponto clássico do bate-volta gastronômico.
  • Passeio de charrete pelo centro: forma tradicional de circular entre as ruas de areia fofa, com tarifa combinada com o condutor.

Gastronomia

A cozinha é dominada pelos frutos do mar pescados na própria península. Os pratos típicos chegam preparados na hora, muitas vezes a partir do que foi colhido durante o passeio.

  • Ostras frescas: coletadas nas gamboas durante os passeios gastronômicos e servidas com limão e pimenta direto no barco.
  • Ceviche de tilápia: preparação fria e cítrica, comum nos tours náuticos com almoço incluso.
  • Camarão na chapa: tradicional dos bares à beira-mar, com preço justo e atendimento simples.
  • Peixada potiguar: caldo encorpado com pescados do dia, leite de coco e legumes, servido em panela de barro.

A economia da comunidade, além da atividade salineira, é fortemente baseada na pesca artesanal e no turismo de isolamento. Pratos típicos dominados por frutos do mar pescados na própria península abastecem a rede de pousadas locais.

Como chegar

Para quem sai de Natal, o trajeto rodoviário até o porto dura cerca de 2h30, passando pela BR-406 e pela RN-402. Já para os turistas que se deslocam a partir de Fortaleza, o percurso terrestre até o píer de embarque é de aproximadamente 410 km.

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