A equipe do Centro de Pesquisa Clínica do Huol, um dos seis centros brasileiros selecionados para o estudo, participou, em fevereiro, de um treinamento intensivo em Fort Worth, no Texas
Publicado 3 de março de 2026 às 18:00
O Hospital Universitário Onofre Lopes (HUOL-UFRN), vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), está participando de um estudo internacional sobre uma nova alternativa terapêutica para adolescentes com Transtorno Depressivo Maior (TDM). A pesquisa, que avalia a eficácia e a segurança da escetamina intranasal, visa oferecer uma resposta rápida a quadros agudos de depressão em adolescentes de 12 a 18 anos.
A equipe do Centro de Pesquisa Clínica do Huol, um dos seis centros brasileiros selecionados para o estudo, participou, em fevereiro, de um treinamento intensivo em Fort Worth, no Texas (EUA). O encontro reuniu pesquisadores dos Estados Unidos e do Brasil que conduzirão o estudo, consolidando a padronização e a excelência necessárias para a pesquisa multicêntrica.
Trata-se de um ensaio clínico randomizado, duplo-cego e controlado por placebo psicoativo, que investiga a administração da escetamina por via nasal, associada ao tratamento padrão com antidepressivos. De acordo com a sinopse do protocolo, estudos prévios já demonstraram que a medicação pode proporcionar uma rápida redução dos sintomas depressivos.
O coordenador do Centro de Pesquisa Clínica do HUOL, o anestesiologista Wallace Andrino, destaca a relevância da pesquisa diante do preocupante cenário global: “A depressão em crianças e adolescentes apresentou grande crescimento nas últimas décadas. O suicídio está entre as principais causas de morte nessa faixa etária, configurando uma emergência psiquiátrica”, alerta.
Segundo o médico, a grande inovação do estudo reside na velocidade de ação do medicamento: “Diferentemente das medicações tradicionais, que podem demorar de quatro a 12 semanas para fazer efeito, a medicação estudada tem início de ação rápido e é administrada por via nasal. Em um quadro agudo, essa agilidade pode ser determinante para reduzir os sintomas depressivos e o risco de suicídio de forma mais célere”, explica.
O psiquiatra Walter Barbalho, investigador principal da pesquisa no HUOL, reforça que o estudo parte de uma base sólida: “A molécula já é utilizada em adultos com segurança e eficácia comprovadas. Os psiquiatras estão familiarizados com seu manejo e compreendem o impacto positivo que pode ter, especialmente em pacientes com ideação suicida aguda. Agora, o objetivo é validar esse benefício também em adolescentes”, destaca.
Formação e inovação no ambiente acadêmico
A condução do estudo no HUOL envolve uma equipe multiprofissional formada por psicólogos, médicos, farmacêuticos, enfermeiros, residentes de psiquiatria, docentes da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), além de egressos da instituição.
A residente em psiquiatria Lauanda Rocha, que integra a equipe, destaca o valor da experiência para a formação médica: “A participação em um estudo internacional durante a residência amplia horizontes e proporciona novas perspectivas. Além do aprimoramento técnico e do contato direto com a medicina baseada em evidências, essa oportunidade promove um crescimento pessoal significativo”, conclui.
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