Mudança no relógio está suspensa no Brasil desde 2019 e só voltaria em caso de risco real ao sistema elétrico. | Foto: Reprodução

Economia

Energia Horário de verão volta em 2026? Governo diz que não há previsão de mudança no Brasil

Ministério de Minas e Energia afirma que sistema elétrico está estável e não vê necessidade de retomar mudança no relógio no Brasil

por: NOVO Notícias

Publicado 3 de março de 2026 às 19:30

O horário de verão pode voltar em 2026? A resposta, por enquanto, é não. Segundo o Ministério de Minas e Energia, a medida segue suspensa no Brasil desde 2019 e não há decisão para retomar a mudança no relógio no próximo ano. A avaliação técnica atual é de que o sistema elétrico nacional está estável e não exige a adoção do mecanismo.

O debate continua aberto, mas deixou de ser apenas uma questão de hábito ou preferência da população. Hoje, qualquer decisão depende de estudos técnicos, projeções de consumo e condições climáticas. A análise envolve o próprio ministério e órgãos responsáveis pelo monitoramento da oferta e demanda de energia no país.

Durante décadas, o horário de verão foi adotado para reduzir o consumo no início da noite, quando ocorria o chamado pico de demanda. Ao adiantar os relógios em uma hora nos meses mais quentes, buscava-se aproveitar melhor a luz natural e aliviar a pressão sobre o sistema elétrico.

Com o passar dos anos, porém, o padrão de consumo mudou. O uso mais intenso de ar-condicionado nas tardes quentes deslocou o pico de energia para outro horário. Estudos do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico indicaram que a economia gerada se tornou pequena. Avaliações do Operador Nacional do Sistema Elétrico apontaram que o impacto já não compensa os ajustes operacionais e sociais da mudança.

Sistema mais robusto

De acordo com o Ministério de Minas e Energia e o ONS, o sistema elétrico brasileiro passou por avanços nos últimos anos. Houve diversificação da matriz, ampliação da oferta e melhorias na transmissão.

Além disso, o monitoramento dos reservatórios ficou mais preciso, e os modelos de previsão ajudam no planejamento diante de diferentes cenários climáticos. A capacidade de suprimento está considerada suficiente no curto prazo, o que reduz a necessidade de medidas excepcionais como a alteração do horário oficial.

O que substitui a medida hoje

Em vez de mudar o relógio, o setor aposta em ações de gestão e eficiência. Grandes hidrelétricas, como Itaipu Binacional, ajustam operações para equilibrar reservatórios e atender à demanda.

Também há incentivo à troca de equipamentos por modelos mais eficientes, campanhas de consumo consciente e contratos para reduzir o uso de energia por grandes consumidores em horários estratégicos. A ampliação de fontes eólica e solar também contribui para dar mais segurança ao sistema.

Quando poderia voltar

O retorno do horário de verão só seria considerado em cenário de estresse elevado no sistema elétrico, como uma seca prolongada que comprometa significativamente os reservatórios e gere risco real de abastecimento.

Até que isso ocorra, a mudança segue suspensa. Para consumidores do Rio Grande do Norte e de outros estados, a rotina permanece sem alteração no relógio — pelo menos por enquanto.

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