O primeiro carro de passeio fabricado em série no Brasil foi o Romi-Isetta, lançado em setembro de 1956
O primeiro carro de passeio fabricado em série no Brasil foi o Romi-Isetta, lançado em setembro de 1956. A iniciativa surgiu em Santa Bárbara d’Oeste durante o governo de Juscelino Kubitschek. O presidente buscava a independência econômica do país por meio do Plano de Metas.
A estratégia governamental impôs impostos elevados sobre peças importadas para incentivar a instalação de fábricas estrangeiras. Até então, os veículos eram montados pelo sistema CKD (veículo exportado em partes e montado no destino). O Grupo Executivo da Indústria Automobilística (Geia) estabeleceu metas progressivas de nacionalização.
O Romi-Isetta estreou com 72% de seus componentes produzidos em solo brasileiro. O modelo era um minicarro com formato de gota e apenas uma porta frontal. A fabricação foi interrompida em 1961 porque o veículo não possuía a capacidade mínima exigida de quatro passageiros.
A produção nacional saltou para 133 mil veículos em 1960. Especialistas apontam que a prioridade dada às multinacionais gerou uma dependência tecnológica precoce no setor. O trabalho dos engenheiros brasileiros limitou-se à “tropicalização” (adaptação de modelos europeus às condições de uso locais).
O investimento maciço em estradas de rodagem relegou o transporte ferroviário ao sucateamento. Esse cenário gerou gargalos logísticos que persistem até os dias atuais. A crise do petróleo em 1973 desafiou o setor e motivou a criação do Programa Nacional do Álcool (Proálcool).
Um esforço conjunto entre governo e universidades resultou no lançamento do Fiat 147 em 1979. Este foi o primeiro carro a álcool produzido em série no mundo. O etanol é reconhecido internacionalmente como uma inovação sustentável e econômica para a motorização.
A abertura do mercado promovida pelo presidente Fernando Collor em 1990 permitiu a entrada de importados. Os carros nacionais da época foram classificados como defasados em design e tecnologia. A mudança repentina causou a falência de empresas como a Gurgel Motores.
João Gurgel foi um empreendedor visionário que desenvolveu o primeiro carro 100% nacional. Ele também criou o Itaipu E-400, o primeiro veículo elétrico fabricado em série na América Latina. O utilitário saiu de linha devido ao alto custo e tempo de carga das baterias.
A empresa Lecar tenta retomar o sonho do carro elétrico brasileiro na atualidade. O projeto envolve um automóvel híbrido com 83% de origem nacional. O empresário Flávio Assis planeja ter um protótipo funcional para testes até junho de 2026.
O governo federal lançou a política Nova Indústria Brasil (NIB) para estimular a inovação tecnológica. O programa foca na neoindustrialização (industrialização pautada em inovação e compromisso ambiental) para os próximos dez anos. Estão previstos R$ 643,3 bilhões em investimentos para modernizar o setor.
A nova estratégia exige que empresas multinacionais instalem centros de pesquisa e desenvolvimento no país. O Ministério do Desenvolvimento busca criar ecossistemas de inovação sustentáveis. O objetivo é garantir previsibilidade para o crescimento industrial até 2033.
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