(Foto: BANARAS KHAN / AFP)

Conflito Guerra: ataque ao Irã afeta preço do petróleo

Com os Estados Unidos e Israel travando uma guerra contra o Irã desde sábado, o mundo pode passar por uma nova crise do petróleo

por: Correio Braziliense

Publicado 2 de março de 2026 às 09:30

Com os Estados Unidos e Israel travando uma guerra contra o Irã desde sábado, o mundo pode passar por uma nova crise do petróleo. O tipo Brent, referência internacional, abriu as negociações, ontem, a US$ 80,58 — alta de mais de 13%. A preocupação observada por analistas e agentes de mercado decorre em razão do fechamento do Estreito de Ormuz — importante hub de exportações do produto a nível global — pela Guarda Revolucionária do Irã e da escalada militar do conflito.

Cerca de um quinto de todo o petróleo extraído no mundo (20 milhões de barris por dia) passa por um pedaço de oceano que chega a ter somente 33km de distância de uma margem a outra. Além de ser passagem do chamado “ouro negro”, o Estreito de Ormuz é importante para o comércio global pelo transporte de gás e outros produtos fabricados no Oriente Médio.

A Guarda Revolucionária Iraniana decidiu fechar novamente o estreito por causa dos ataques, a exemplo do que ocorreu em junho de 2025, durante a Guerra dos Doze Dias, com a Operação Martelo da Meia-Noite, que atingiu três instalações nucleares no país. O Irã está ainda mais fragilizado, tanto politicamente, com a perda do aiatolá Ali Khamenei, que governou a nação por mais de três décadas, quanto militarmente, com boa parte do arsenal de defesa comprometido pelos últimos conflitos.

Há dúvidas em relação à capacidade do país localizado no Oriente Médio de manter um controle mais forte às embarcações que trafegam por Ormuz. O fechamento da passagem gera uma preocupação, inclusive, a países que mantêm relações mais próximas ao regime teocrático, como a China, que importa quase cinco milhões de barris por dia de petróleo que atravessa o estreito.

A situação também deve gerar impactos mais graves no preço do petróleo. A curto prazo, há uma expectativa nos mercados futuros de um aumento entre 10% e 20% no valor atual do barril tipo Brent. Caso o conflito se prolongue por mais tempo, o preço poderia ultrapassar o patamar de US$ 100 — o que não ocorre desde agosto de 2022.