Grupo Pão de Açúcar fecha acordo com credores para recuperação extrajudicial - Foto: GPA/Divulgação

Cotidiano

Comércio Grupo Pão de Açúcar fecha acordo com credores para recuperação extrajudicial

Plano suspende cobranças por 90 dias e exclui obrigações financeiras com fornecedores, parceiros comerciais e trabalhadores

por: NOVO Notícias

Publicado 10 de março de 2026 às 12:40

O Grupo Pão de Açúcar anunciou um acordo com seus principais credores nesta terça-feira (10). A varejista apresentará um plano de recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 4,5 bilhões em dívidas. O montante abrange obrigações de pagamento sem garantia e que não são operacionais.

As dívidas com fornecedores, parceiros, clientes e trabalhadores ficam expressamente excluídas do processo. A empresa garante que essas obrigações financeiras correntes não sofrerão nenhum impacto. O conselho de administração da companhia autorizou a decisão de forma unânime.

A medida integra negociações conduzidas nas últimas semanas com instituições financeiras e detentores de títulos. Os credores que assinaram o acordo concentram aproximadamente 46% dos créditos sujeitos ao plano. Esse percentual equivale a R$ 2,1 bilhões e supera o quórum mínimo exigido pela legislação.

O plano produz efeitos imediatos e prevê a suspensão temporária das cobranças pelos envolvidos. A trégua cria uma janela de 90 dias para a ampliação da adesão ao processo. A varejista busca negociar uma solução definitiva para a sua atual estrutura de capital.

O objetivo da reestruturação é fortalecer o balanço e melhorar a sustentabilidade financeira a longo prazo. A direção destacou o diálogo construtivo mantido ao longo de todas as tratativas. O modelo foi desenhado para preservar a operação contínua de todas as lojas da rede.

As unidades seguem com funcionamento normal e o abastecimento de produtos não sofrerá problemas. O grupo afirma estar em dia com os pagamentos de todos os seus fornecedores e parceiros comerciais. A recuperação extrajudicial permite renegociar dívidas diretamente e levar o acordo posterior para homologação na Justiça.

A companhia publicará detalhes adicionais em seu site de relações com investidores nas próximas semanas. A decisão ocorre após uma recente deterioração da confiança do mercado financeiro e de credores. O presidente da empresa, Alexandre Santoro, enviou uma carta no início de março para tranquilizar fornecedores sobre o abastecimento.

O comunicado oficial sucedeu o rebaixamento da nota de crédito do grupo pela agência Fitch Ratings. A classificação caiu de “A” para “CCC”, nível que indica risco substancial de calote e fraca capacidade de pagamento. A agência apontou piora da liquidez e aumento do risco de refinanciamento dos débitos.

O balanço financeiro registra cerca de R$ 1,7 bilhão em dívidas com vencimento já em 2026. A empresa terminou o último trimestre com capital de giro líquido negativo em R$ 1,2 bilhão. O endividamento total da rede gira em torno da marca de R$ 4 bilhões.

A diretoria revelou também a existência de R$ 16 bilhões em disputas tributárias não provisionadas e classificadas como perdas possíveis. Auditores da Deloitte registraram incerteza relevante sobre a continuidade operacional do negócio nos relatórios. A família Coelho Diniz assumiu o controle acionário do negócio no lugar do grupo francês Casino em maio do ano passado.

A nova gestão controla uma rede de supermercados em Minas Gerais e não concedeu entrevistas desde a mudança. O Pão de Açúcar argumentou que o rebaixamento da nota não gera descumprimento de covenants (obrigações aplicadas aos tomadores de crédito). Os contratos de financiamento vigentes seguem as regras firmadas originalmente.

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