Posto de combustível em Natal | Foto: Freepik
O preço da gasolina chegou a R$ 6,99 em postos de combustíveis de Natal na manhã desta segunda-feira (5). A alta preocupa motoristas diante da possibilidade de novos reajustes nos próximos dias.
Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) indicam que, na semana entre 1º e 7 de março, o preço médio da gasolina comum na capital potiguar era de R$ 6,56. O preço mais alto registrado da comum foi de R$ 6,99. Já a aditivada alcançou a marca de R$ 7,20.
A capital potiguar tem o oitavo maior preço médio do combustível no país, sendo que Porto Velho tem o valor mais caro (R$ 7,04) e São Luís tem a mais barata (R$ 5,67).
No caso do diesel, o diesel S10 está cotado em R$ 6,36; já o preço médio do etanol é de R$ 5,54.
A pressão sobre os preços deve aumentar em meio ao conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel, que elevou as cotações do petróleo no mercado internacional. O barril chegou a superar US$ 120 nesta semana, aumentando o custo de combustíveis no mundo.
Apesar do cenário internacional, a Petrobras ainda não anunciou reajustes oficiais nos combustíveis. A presidente da estatal, Magda Chambriard, afirmou que a empresa monitora o comportamento do petróleo antes de decidir por eventuais mudanças.
Segundo dados da Abicom, a gasolina vendida pela Petrobras no Brasil está cerca de 27% abaixo da paridade internacional, enquanto o diesel apresenta diferença ainda maior.
Caso a alta do petróleo se mantenha por período prolongado, especialistas avaliam que novos reajustes poderão ocorrer nas próximas semanas.
O diretor de Logística, Comercialização e Mercados da Petrobras, Claudio Schlosser, afirmou que o conflito envolvendo o Irã não deve comprometer as importações. A companhia descarta interrupções no suprimento de insumos específicos, como o petróleo Árabe Leve, cuja logística pode ser adaptada para o Mediterrâneo.
Schlosser relatou que a empresa realizou apenas o redirecionamento pontual de uma carga de óleo combustível, originalmente destinada ao Golfo Pérsico, para o mercado de Singapura, manobra executada sem prejuízo financeiro devido à alta liquidez da região.
A estatal reforçou que o setor de combustíveis permanece resiliente à escalada militar no Oriente Médio. As exportações de gasolina têm como destinos principais a África e os Estados Unidos, em trajetos distantes da zona de guerra, enquanto o volume de importação de diesel pela companhia foi classificado como não significativo, minimizando possíveis vulnerabilidades diante do cenário geopolítico.
Contudo, o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Rio Grande do Norte (Sindipostos) informou que distribuidoras vêm elevando os preços repassados aos postos, possivelmente em razão do aumento dos custos de aquisição nas refinarias privadas e nas importações.
As cidades potiguares são mais sensíveis às oscilações internacionais. Isso ocorre porque parte relevante do abastecimento depende de refinarias privadas, como a Refinaria Clara Camarão, no Rio Grande do Norte, e da Acelen, na Bahia, além de combustíveis importados.
Na última semana, a Refinaria Clara Camarão, localizada em Guamaré, reajustou os preços da gasolina e do diesel vendidos às distribuidoras. O preço da gasolina passou de R$ 2,59, registrado em 26 de fevereiro, para R$ 2,89 neste dia 5 de março, o que representa um aumento de R$ 0,30 por litro no valor praticado na refinaria, operada pela Brava Energia.
“Desde o início da semana passada, na verdade desde a segunda-feira, os postos já vêm recebendo sucessivos aumentos das distribuidoras. O aumento da Refinaria Clara Camarão só potencializou esses reajustes. Nós somos supridos, além da Clara Camarão, pela refinaria da Acelen, que fica na Bahia e ajuda a abastecer parte do Nordeste. Quando não compramos da Clara Camarão, acabamos adquirindo combustíveis na Paraíba e em Pernambuco, que também são bastante supridos pela Acelen. Por isso, o Nordeste sofre mais do que outras regiões do país”, justificou Maxwell Flor, presidente do Sindipostos, em entrevista à Intertv.
A diferença pode ser observada em estados vizinhos. Em João Pessoa, por exemplo, o litro da gasolina foi encontrado recentemente por cerca de R$ 5,95, valor bem inferior ao praticado em Natal.
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