O projeto-piloto “Território Seguro”, do governo federal, é baseado em modelo que integra repressão à criminalidade. Foto: Reprodução

O projeto-piloto “Território Seguro”, do governo federal, é baseado em modelo que integra repressão à criminalidade. Foto: Reprodução

Cotidiano

Segurança Força-tarefa retira Comando Vermelho de Felipe Camarão 

Segunda fase do Programa Território Seguro e consolida presença do Estado na Zona Oeste de Natal; pelo menos 179 suspeitos ligados à facção criminosa foram presos em ações policiais

por: Alessandra Bernardo, do NOVO Notícias

Publicado 19 de janeiro de 2026 às 15:23

Uma operação pioneira coordenada pelo governo federal, em parceria com as forças de segurança do Rio Grande do Norte, informou ter retirado o Comando Vermelho (CV) do bairro de Felipe Camarão, na Zona Oeste de Natal. Ao todo, 179 suspeitos ligados à facção criminosa foram presos em ações que buscam retomar o controle do território e interromper práticas que prejudicam a população.

Segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), moradores relatavam situações como toque de recolher, cobrança de taxas ilegais e agressões físicas praticadas por criminosos. A intervenção busca restabelecer a presença do Estado e garantir a circulação segura no bairro.

O projeto-piloto “Território Seguro”, do governo federal, é baseado em modelo que integra repressão à criminalidade — com prisões, apreensões, bloqueio de bens e inteligência policial — com ocupação institucional contínua, incluindo serviços públicos e ações sociais que acompanham a operação, evitando a reorganização das facções criminosas.

A operação envolveu a Diretoria de Operações Integradas e de Inteligência (Diopi), da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), polícias Militar e Civil do Estado, Ministério Público do RN e Polícia Rodoviária Federal (PRF), que atuou especialmente na BR-226, apontada como rota de fuga para criminosos.

O Ministério da Justiça informou que parte dos criminosos se deslocou para outros bairros, e o monitoramento continua. A operação mobilizou 752 policiais, gerou quase sete mil diárias e teve custo aproximado de R$ 2,5 milhões. Para o MJSP, a meta é estruturar uma política capaz de desarticular o comando do crime e restabelecer direitos básicos à população.

O titular da Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesed), coronel Francisco Araújo, destacou que a primeira fase do Território Seguro concentrou ações de inteligência, cumprimento de mandados e ocupação contínua por polícias Federal, Civil, Militar, Penal, Científica, PRF e pelo Ministério Público, via Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

Segunda fase do Território Seguro

O programa vai além da ação policial. A segunda fase leva serviços públicos e programas sociais às comunidades, com limpeza, iluminação, atividades esportivas e de lazer, além de atendimento social. O objetivo é impedir que grupos criminosos retomem o território e fortalecer a presença do Estado em regiões como Câmara Cascudo, Guarapes e Felipe Camarão. O efetivo empregado não foi divulgado por ser dado estratégico.

Segundo Araújo, “a segunda etapa expande o foco para serviços públicos e programas sociais, com ações de limpeza, iluminação, esporte, lazer e atendimento às famílias da região, evitando nova tomada territorial por facções”.

Ele explicou que a previsão é que cada órgão envolvido desenvolva seu plano de intervenção e participe de reuniões periódicas para acompanhar os avanços. O efetivo empregado não é divulgado por questões estratégicas, mas a Segurança Pública garante a permanência das equipes nos bairros onde o projeto está ativo.

Entre eles estão: mediação de conflitos, com atendimento especializado a mulheres, crianças, adolescentes e idosos; emissão de documentos e atendimentos jurídicos pela Defensoria Pública; cursos e capacitação profissional, incluindo emissão da carteira de artesão; mutirões de limpeza urbana e melhorias na iluminação pública; e assistência e ações educativas do Procon/RN.

Para este ano, estão previstos programas como Adolescência Segura, com medidas socioeducativas para jovens, e Defensores Populares, para formação de lideranças comunitárias.

O secretário Nacional de Segurança Pública, Mário Sarrubo, reforçou que a retomada territorial prioriza a presença do cidadão e serviços que consolidam o Estado. Ele destacou que a operação de outubro, com mais de cem prisões, ocorreu sem mortes ou feridos, fruto de planejamento e inteligência.

A governadora Fátima Bezerra ressaltou a importância da cooperação entre diferentes áreas do governo, lembrando que combater o crime organizado exige não só ação policial, mas também educação, saúde, lazer e geração de empregos.

Resultados da primeira fase

O projeto, iniciado em outubro, envolveu cinco meses de inteligência e atuação conjunta de Polícia Civil, Militar, Penal, PRF, Polícia Federal e Ministério Público Estadual. Os resultados incluem: 

• 156 integrantes do Comando Vermelho presos, incluindo 7 lideranças da facção;

• 26 armas de alto poder de fogo apreendidas;

• 2,2 toneladas de drogas recolhidas;

• R$ 890 mil em bens ilegais apreendidos;

• Prejuízo estimado de R$ 94 milhões ao crime organizado.

A segunda fase vai além da repressão: inclui serviços públicos, mediação de conflitos, cursos, mutirões de limpeza e melhoria da infraestrutura, garantindo presença institucional contínua no bairro.

Apreensões e bloqueios

Segundo dados do MJSP, a ofensiva realizada em outubro resultou em:

• 2,3 toneladas de drogas apreendidas;

• 31 armas de fogo recolhidas;

• 42 veículos confiscados;

• 3 embarcações apreendidas;

• R$ 983 mil em bens;

• R$ 702 mil bloqueados em contas bancárias.

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