O projeto-piloto “Território Seguro”, do governo federal, é baseado em modelo que integra repressão à criminalidade. Foto: Reprodução
Uma operação pioneira coordenada pelo governo federal, em parceria com as forças de segurança do Rio Grande do Norte, informou ter retirado o Comando Vermelho (CV) do bairro de Felipe Camarão, na Zona Oeste de Natal. Ao todo, 179 suspeitos ligados à facção criminosa foram presos em ações que buscam retomar o controle do território e interromper práticas que prejudicam a população.
Segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), moradores relatavam situações como toque de recolher, cobrança de taxas ilegais e agressões físicas praticadas por criminosos. A intervenção busca restabelecer a presença do Estado e garantir a circulação segura no bairro.
O projeto-piloto “Território Seguro”, do governo federal, é baseado em modelo que integra repressão à criminalidade — com prisões, apreensões, bloqueio de bens e inteligência policial — com ocupação institucional contínua, incluindo serviços públicos e ações sociais que acompanham a operação, evitando a reorganização das facções criminosas.
A operação envolveu a Diretoria de Operações Integradas e de Inteligência (Diopi), da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), polícias Militar e Civil do Estado, Ministério Público do RN e Polícia Rodoviária Federal (PRF), que atuou especialmente na BR-226, apontada como rota de fuga para criminosos.
O Ministério da Justiça informou que parte dos criminosos se deslocou para outros bairros, e o monitoramento continua. A operação mobilizou 752 policiais, gerou quase sete mil diárias e teve custo aproximado de R$ 2,5 milhões. Para o MJSP, a meta é estruturar uma política capaz de desarticular o comando do crime e restabelecer direitos básicos à população.
O titular da Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesed), coronel Francisco Araújo, destacou que a primeira fase do Território Seguro concentrou ações de inteligência, cumprimento de mandados e ocupação contínua por polícias Federal, Civil, Militar, Penal, Científica, PRF e pelo Ministério Público, via Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
O programa vai além da ação policial. A segunda fase leva serviços públicos e programas sociais às comunidades, com limpeza, iluminação, atividades esportivas e de lazer, além de atendimento social. O objetivo é impedir que grupos criminosos retomem o território e fortalecer a presença do Estado em regiões como Câmara Cascudo, Guarapes e Felipe Camarão. O efetivo empregado não foi divulgado por ser dado estratégico.
Segundo Araújo, “a segunda etapa expande o foco para serviços públicos e programas sociais, com ações de limpeza, iluminação, esporte, lazer e atendimento às famílias da região, evitando nova tomada territorial por facções”.
Ele explicou que a previsão é que cada órgão envolvido desenvolva seu plano de intervenção e participe de reuniões periódicas para acompanhar os avanços. O efetivo empregado não é divulgado por questões estratégicas, mas a Segurança Pública garante a permanência das equipes nos bairros onde o projeto está ativo.
Entre eles estão: mediação de conflitos, com atendimento especializado a mulheres, crianças, adolescentes e idosos; emissão de documentos e atendimentos jurídicos pela Defensoria Pública; cursos e capacitação profissional, incluindo emissão da carteira de artesão; mutirões de limpeza urbana e melhorias na iluminação pública; e assistência e ações educativas do Procon/RN.
Para este ano, estão previstos programas como Adolescência Segura, com medidas socioeducativas para jovens, e Defensores Populares, para formação de lideranças comunitárias.
O secretário Nacional de Segurança Pública, Mário Sarrubo, reforçou que a retomada territorial prioriza a presença do cidadão e serviços que consolidam o Estado. Ele destacou que a operação de outubro, com mais de cem prisões, ocorreu sem mortes ou feridos, fruto de planejamento e inteligência.
A governadora Fátima Bezerra ressaltou a importância da cooperação entre diferentes áreas do governo, lembrando que combater o crime organizado exige não só ação policial, mas também educação, saúde, lazer e geração de empregos.
O projeto, iniciado em outubro, envolveu cinco meses de inteligência e atuação conjunta de Polícia Civil, Militar, Penal, PRF, Polícia Federal e Ministério Público Estadual. Os resultados incluem:
• 156 integrantes do Comando Vermelho presos, incluindo 7 lideranças da facção;
• 26 armas de alto poder de fogo apreendidas;
• 2,2 toneladas de drogas recolhidas;
• R$ 890 mil em bens ilegais apreendidos;
• Prejuízo estimado de R$ 94 milhões ao crime organizado.
A segunda fase vai além da repressão: inclui serviços públicos, mediação de conflitos, cursos, mutirões de limpeza e melhoria da infraestrutura, garantindo presença institucional contínua no bairro.
Apreensões e bloqueios
Segundo dados do MJSP, a ofensiva realizada em outubro resultou em:
• 2,3 toneladas de drogas apreendidas;
• 31 armas de fogo recolhidas;
• 42 veículos confiscados;
• 3 embarcações apreendidas;
• R$ 983 mil em bens;
• R$ 702 mil bloqueados em contas bancárias.
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