O ouro aparece como novidade e ajuda a suavizar a queda, mas redução expressiva das vendas tradicionais sinaliza alerta para o comércio exterior do RN. | Foto: Arquivo/NOVO Notícias

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Economia Exportações do RN despencam 30% e superávit no início de 2026 sofre colapso

Balança comercial potiguar fecha janeiro com US$ 21,6 milhões de superávit, queda de 66,5% em relação ao mesmo mês do ano passado, puxada por retração em frutas e combustíveis.

por: NOVO Notícias

Publicado 6 de fevereiro de 2026 às 08:12

O RN começou 2026 com a balança comercial no positivo, mas em ritmo significativamente mais fraco. Em janeiro, as exportações somaram US$ 77,9 milhões, queda de cerca de 30% frente ao mesmo mês de 2025. Já as importações avançaram 18%, alcançando US$ 56,3 milhões, resultando em superávit de US$ 21,6 milhões — 66,5% menor que o registrado no início do ano passado.

Apesar do saldo positivo, o estado aparece apenas na 19ª posição entre os exportadores brasileiros, respondendo por 0,34% das vendas externas do país, conforme informações da Tribuna do Norte. O desempenho reflete a forte dependência de poucos produtos e mercados específicos.

A composição das exportações do RN apresentou alterações relevantes em janeiro. Frutas e nozes frescas ou secas continuaram liderando, com US$ 31,4 milhões, mas registraram queda de 13,9% em relação a janeiro de 2025. A principal novidade foi o ouro não monetário, que entrou na pauta e somou US$ 29,8 milhões, representando 38,3% do total exportado e ajudando a compensar parte da queda global.

Em contrapartida, produtos tradicionais como óleos combustíveis tiveram forte retração. As vendas caíram 84,7%, somando apenas US$ 9,5 milhões, reduzindo em mais de US$ 52 milhões a receita do estado com esse item.

Mercados em alta e em baixa

Alguns destinos apresentaram crescimento expressivo, como Canadá e Suíça, que compraram principalmente ouro potiguar, com alta de mais de 2.700% e 20 mil por cento, respectivamente. Por outro lado, mercados tradicionais recuaram. Exportações para os Estados Unidos caíram 68,9%, para apenas US$ 2,8 milhões. Países Baixos (-35,9%), Reino Unido (-10,8%) e Espanha (-27,7%) também registraram retrações significativas.

Importações em ascensão

O aumento das importações potiguares foi puxado por bens industriais, especialmente geradores elétricos e suas partes, que somaram US$ 11,6 milhões, crescimento superior a 15 mil por cento. Óleos combustíveis totalizaram US$ 10,5 milhões, embora com queda anual de 24,2%. Componentes eletrônicos, como válvulas e transistores, avançaram quase 75%, chegando a US$ 6,7 milhões. Trigo e centeio mantiveram estabilidade, com US$ 6,3 milhões.

Comparativo com o Brasil

Enquanto o RN enfrenta queda expressiva, o Brasil iniciou 2026 com superávit robusto de US$ 4,34 bilhões, impulsionado pela queda das importações (-9,8%). As exportações nacionais somaram US$ 25,15 bilhões, com leve recuo de 1%. Setores como agropecuária apresentaram crescimento de 2,1%, enquanto indústria extrativa e de transformação registraram pequenas retrações.

Projeções e cenário

Para 2026, o governo projeta superávit comercial entre US$ 70 bilhões e US$ 90 bilhões para o Brasil, com exportações estimadas entre US$ 340 bilhões e US$ 380 bilhões. Apesar do otimismo nacional, o desempenho do RN evidencia vulnerabilidade a oscilações em produtos-chave e mercados específicos. A entrada do ouro ajudou a sustentar o saldo em janeiro, mas não compensou a retração das vendas de frutas e combustíveis, sinalizando atenção para os próximos meses.

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