Ferramenta do governo detalha, pela primeira vez, o desempenho do Brasil no comércio exterior de serviços. | Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil
As exportações brasileiras de serviços atingiram um novo recorde histórico em 2025, ao alcançar US$ 51,83 bilhões, impulsionadas principalmente pelo crescimento dos serviços digitais, que responderam por cerca de 65% do total. Os dados foram divulgados com o lançamento do Painel Comércio Exterior Brasileiro de Serviços em Números, apresentado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).
A nova plataforma reúne estatísticas inéditas e interativas sobre as transações internacionais de serviços do Brasil e de outros países. Até então, o setor não contava com um sistema detalhado semelhante ao da balança comercial de mercadorias, o que dificultava análises mais precisas sobre a atuação brasileira nesse mercado.
Embora o comércio de serviços faça parte das contas externas divulgadas mensalmente pelo Banco Central, os números eram apresentados de forma agregada. Com o novo painel, os dados passam a ser detalhados por setor, tipo de serviço e parceiros comerciais, ampliando o nível de transparência das informações oficiais.
Desenvolvido pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o painel utiliza dados primários do Banco Central e passa a integrar o conjunto de estatísticas oficiais do governo federal. A ferramenta se soma a outras plataformas digitais já existentes, como o Comex Stat e o Comex Vis, voltadas ao acompanhamento do comércio exterior brasileiro.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, a iniciativa busca qualificar o debate público e apoiar a formulação de políticas voltadas à competitividade do setor de serviços no mercado internacional. A plataforma permite acompanhar a evolução histórica das exportações e importações, além de identificar oportunidades de negócios.
Em nota, o vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin destacou que o setor de serviços tem ganhado relevância no comércio global. Ele lembrou que cerca de 40% do valor agregado das exportações brasileiras de manufaturados corresponde a serviços incorporados aos produtos, conforme dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Apesar do desempenho recorde nas exportações, o Brasil segue registrando déficit estrutural no comércio exterior de serviços. Em 2025, as importações do setor somaram US$ 104,77 bilhões, resultando em saldo negativo de US$ 52,94 bilhões. O desequilíbrio contribuiu para um déficit total de US$ 68,79 bilhões nas contas externas no ano passado.
Esse resultado só não foi maior devido ao superávit de US$ 68,29 bilhões da balança comercial de bens. Especialistas apontam que déficits elevados nas contas externas aumentam a dependência do país de capitais estrangeiros, como investimentos diretos e recursos financeiros, para manter o equilíbrio do balanço de pagamentos e evitar pressão sobre o real.
Em 2025, o déficit foi compensado pelo investimento estrangeiro direto, que alcançou US$ 77,67 bilhões, o melhor resultado desde 2014. A ampliação das exportações de serviços é vista como um caminho para reduzir, no médio prazo, a dependência do Brasil de capitais externos.
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