Monitoramento apontou avanço da erosão em trechos da engorda de Ponta Negra | Foto: Sérgio Henrique Santos/InterTV Cabugi
A engorda da Praia de Ponta Negra perdeu 39,27% da faixa de areia monitorada em um ano, segundo relatório técnico da Funpec/UFRN. O levantamento aponta redução de 400,9 mil metros cúbicos de sedimentos entre fevereiro de 2025 e fevereiro de 2026 e indica o entorno do Morro do Careca como o trecho mais afetado.
De acordo com o estudo, o volume analisado caiu de 1,02 milhão de m³ para 619,8 mil m³ em doze meses. Os pesquisadores, porém, ressaltam que isso não significa necessariamente perda definitiva da areia, já que o monitoramento considerou apenas a faixa acima da linha d’água, conforme informações do G1 RN.
O ponto de maior preocupação é a Área C, no entorno do Morro do Careca, que registrou redução de 51,87% do volume inicial. Já a Via Costeira teve a maior perda em números absolutos: 207 mil m³ de sedimentos. O trecho central de Ponta Negra também apresentou diminuição.
O relatório também relembra episódios que pressionaram a área após a obra, como rompimentos no pé do Morro do Careca, alagamentos associados à superlua e novas erosões aceleradas por fortes chuvas.
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No relatório, os técnicos alertam que, sem intervenções complementares, a tendência é de continuidade da erosão em áreas críticas. Entre as medidas citadas estão reaterro, melhorias na drenagem, redimensionamento de dissipadores e implantação de lagoas de infiltração no bairro.
A Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinfra), por outro lado, contestou a interpretação de “perda definitiva” da areia. Segundo a secretária Shirley Cavalcanti, o fenômeno estaria ligado à dinâmica natural de transporte e redistribuição de sedimentos ao longo da praia, sem indicar necessariamente saída do material do sistema costeiro.
Os 4 episódios citados no relatório da engorda de Ponta Negra:
Poucas semanas após a obra (2025) — Chuvas intensas abriram um canal erosivo no entorno do Morro do Careca, provocando carreamento de areia e exigindo ação emergencial da Prefeitura.
18 de junho de 2025: novo rompimento no pé do Morro do Careca — Um segundo episódio de erosão, ligado ao escoamento das águas no período chuvoso, voltou a atingir a faixa de areia.
Outubro de 2025: alagamentos associados à superlua — A combinação de chuva, drenagem urbana e maré elevada contribuiu para avanço do mar e retirada de sedimentos da praia.
Fevereiro de 2026: novas erosões após fortes chuvas — Monitoramento feito um ano depois da obra identificou novos sinais de desgaste no Morro do Careca, reforçando a avaliação de que as medidas adotadas ainda seriam insuficientes.
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