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Economia Empresas do Norte e Nordeste lideram pedidos de crédito para expansão dos negócios

No geral, a principal finalidade é o capital de giro (54%), seguido por investimentos em expansão (44%) e pela ampliação de estoque (23%)

por: NOVO Notícias

Publicado 28 de fevereiro de 2026 às 23:10

Mais da metade das micro e pequenas empresas do país (51%) já recorreram ao crédito ou empréstimos junto a instituições financeiras. O percentual é maior no Nordeste, com 64%, seguido da região Norte, com 59%, de acordo com a nova pesquisa da Fiserv, líder global em pagamentos e tecnologia financeira, Fiserv Insights 2026 – Panorama do Varejo: Tendências em Meios de Pagamento, Segurança e Crédito, em parceria com a Opinion Box.

No geral, a principal finalidade é o capital de giro (54%), seguido por investimentos em expansão (44%) e pela ampliação de estoque (23%). Porém, no Norte (69%) e no Nordeste (52%), há maior predominância de solicitações voltadas ao investimento em expansão, enquanto no Sul (66%), Sudeste (53%) e no Centro-Oeste (60%), o foco recai sobre capital de giro.

Quando questionadas sobre os critérios que orientam a escolha de uma instituição para solicitar crédito ou empréstimo, 37% das empresas afirmam preferir aquelas com as quais já mantêm relacionamento ou são clientes. Uma parcela relevante, 34%, destaca a busca por taxas e custos efetivos menores, 28% a facilidade e a agilidade na aprovação do empréstimo, 24%, condições mais flexíveis para o pagamento e carência, 18% consideram o valor máximo liberado e o atendimento e suporte com gerentes de contas e 13% atendimento e suporte em canais digitais. Apenas 10% consideram ideal o cenário em que não há exigência de garantias.

“O Norte e Nordeste vivem um momento especial no varejo. Empresas estão ampliando sua atuação, e novos empreendedores estão investindo para atender melhor os seus clientes. A Fiserv tem acompanhado isso de perto, principalmente em Fortaleza, onde recentemente apoiamos empresas na adaptação à nova regulamentação que tornou obrigatória a integração entre sistemas de pagamento e emissores de documentos fiscais eletrônicos (NF-e e NFC-e)”, explica Rodrigo Climaco, Vice-presidente de Desenvolvimento de Negócios da Fiserv no Brasil.

Os meios de pagamento que os clientes preferem na hora de fazer uma compra estão diretamente ligados ao que o varejo oferece. De acordo com os dados da pesquisa, o cartão de crédito lidera como o meio de pagamento mais utilizado pelos consumidores no Brasil, com 56% de preferência. Em seguida, aparece o Pix via chave com 51%, seguido pelo Pix via QR Code (35%) e cartão de débito (34%).

Olhando para as regiões, o Norte segue a preferência nacional, com 73% de preferência do público pelo cartão de crédito. Já no Nordeste, o protagonismo é do Pix, com 67% de utilização nas transações.

“Os números mostram que o uso de Pix por chave, instrumento utilizado para a transferência entre pessoas, ainda é bastante alto no mercado brasileiro. Há espaço para uma maior profissionalização e transformação digital do varejo com a adoção de maquininhas ou Tap on Phone (em tablets e smartphones) e a aceitação do Pix por QR Code e por aproximação, instrumentos que inclusive facilitam a administração financeira do negócio por meio da conciliação dos pagamentos”, avalia Climaco.

Já as formas menos recorrentes de pagamento são: o crediário (7%), o Click to Pay (3%) e o modelo BNPL – Buy Now, Pay Later (3%). E esses são justamente os meios que os enfrentam mais resistência dos varejistas. O BNPL lidera essa lista, sendo rejeitado por 55% dos negócios. Em seguida, aparecem as carteiras digitais, não aceitas por 45%, e o Click to Pay, com 36% de não aceitação. “O BNPL ainda é o ‘gigante desconhecido’ para a maioria das empresas. O índice de 55% de não adoção revela que ainda existe uma lacuna de conhecimento a ser preenchida sobre como essa tecnologia se integra ao fluxo de caixa, e como o meio de pagamento pode se tornar uma camada estratégica de vendas, tão natural quanto o cartão de crédito”, analisa o executivo.

Outros métodos também menos aceitos são o boleto bancário (24%), links de pagamento (23%) e o Pix por aproximação (18%). Mesmo opções mais tradicionais, como cartão de débito e cartão de crédito, ainda não são aceitas por 15% dos estabelecimentos.

Motivos para não aceitação de determinados meios de pagamento pelo varejo

A pesquisa identificou os principais fatores que levam os estabelecimentos a não aceitarem certos meios de pagamento. O custo de adesão e taxas segue como principal obstáculo, citado por 26% dos entrevistados. Em seguida, 25% apontam a insegurança em lidar com possíveis golpes ou estornos de valores como motivo relevante.

Inclusive, o custo de adesão e as taxas impactam mais as empresas do Nordeste (25%), que também sentem mais a burocracia de aprovação para adotar novos meios de pagamento (14%). Na região Norte, a dificuldade está em conciliar os pagamentos recebidos e administrar diferentes plataformas e prazos (29%).

Outro reflexo nacional é a dificuldade em compreender e garantir o funcionamento e a segurança dos diferentes meios de pagamento, que foi mencionada por 18% dos participantes, enquanto 16% indicaram a falta de equipamentos ou infraestrutura adequada — como máquinas, terminais ou softwares compatíveis — como barreira para a adoção.

O fim do dinheiro físico

O dinheiro em espécie está em desuso, assim como o cheque. Atualmente, 18% das empresas no Brasil não recebem mais pagamentos em espécie ou cheques, enquanto 32% ainda recebem ocasionalmente, mas preferem pagamentos na forma digital.

Dentro desse contexto, mais uma vez, o destaque fica para a região Norte, onde 73% responderam receber apenas ocasionalmente cheques e dinheiro em espécie. No Nordeste esse percentual é de 33%, próximo ao que ocorre nas demais regiões do país.

A pesquisa ainda retrata a forma como os pagamentos são oferecidos aos consumidores. Cerca de 27% das empresas já adotaram smartphones e tablets como terminais de pagamento, utilizando a tecnologia conhecida como Tap on Phone. Embora a grande maioria (73%) já aceite pagamentos diretamente do celular do consumidor, 44% dos estabelecimentos ainda mantêm o uso de terminais físicos, como forma de complementar a experiência de compra.

Medidas de segurança adotadas pelos estabelecimentos

A medida de segurança mais adotada pelas empresas é o backup de dados, presente em 30% das respostas. Em seguida, aparecem o controle de acesso (27%), a criptografia de dados sensíveis (25%), o uso de firewalls (25%) e o reforço de autenticação (24%). Outras práticas incluem testes e revisões periódicas de segurança (17%), limites máximos de valores e horários (15%), monitoramento de tráfego com alertas em tempo real (12%) e revisão de APIs (10%). Apesar da variedade de soluções disponíveis, 22% das empresas afirmam não adotar nenhuma medida interna de segurança.

Em relação à cibersegurança, a pesquisa revela uma diversidade de abordagens entre os estabelecimentos. 35% das empresas contam com soluções internas para lidar com a proteção de dados e transações, enquanto 24% optam por parceiros externos especializados para essa função.

No Norte, a maioria das empresas (41%) conta com parceiros específicos e externos para a gestão de segurança, mas 32% já utilizam soluções internas. Diferente do Nordeste, onde a maioria das empresas (33%) possuem ações internas para lidar com a segurança digital.

Por outro lado, no em um cenário nacional, 25% dos negócios ainda não possuem uma gestão estruturada de segurança digital, o que representa um alerta quanto à vulnerabilidade frente a ameaças cibernéticas. Além disso, 16% estão em fase de estruturação da área, mas ainda sem soluções completas implementadas.

“Os dados da Fiserv Insights 2026 – Panorama do Varejo mostram que o varejo brasileiro já está digitalizado, com o dinheiro físico praticamente em desuso. No entanto, ainda existe um enorme potencial de evolução. Além disso, o crédito desponta como um fator estratégico para compreender as prioridades de investimento em cada região, o que será decisivo para o futuro da digitalização do setor”, explica Climaco.

A pesquisa foi realizada com 322 empresários de micro e pequenas empresas, entre 16/09 e 04/10/2025, com 95% de confiança. Os participantes são de todas as regiões do Brasil, pertencentes às classes A, B e C, com predominância do setor de serviços (79%). A amostra é equilibrada entre homens (48%) e mulheres (52%).

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