O último reajuste significativo na tabela do Simples ocorreu em 2018 - Foto: Freepik

Economia

Economia Defasagem na tabela do Simples sufoca lucro de PMEs, diz especialista

Ricardo Brandão, contador e sócio da AB Assessoria, explica que, enquanto os custos de produtos e serviços dispararam nos últimos anos, as faixas de tributação permaneceram estáticas

por: NOVO Notícias

Publicado 12 de março de 2026 às 16:00

O cenário para as micro e pequenas empresas (PMEs) no Brasil em 2026 é de alerta. Segundo dados da Fundação Getulio Vargas (FGV), pouco mais de 70% dessas empresas enfrentam estagnação no faturamento e lutam para sobreviver a um gargalo que vai além das vendas: a pressão tributária.

De acordo com Ricardo Brandão, contador e sócio da AB Assessoria, um dos principais vilões dessa estagnação é a falta de atualização na tabela do Simples Nacional. O último reajuste significativo ocorreu em 2018, criando uma armadilha financeira para o empreendedor.

Brandão explica que, enquanto os custos de produtos e serviços dispararam nos últimos anos, as faixas de tributação permaneceram estáticas. O resultado é um aumento desproporcional da carga tributária sobre o faturamento bruto. “Um café que custava R$ 2 em 2018, hoje custa R$ 17 ou R$ 20. Como o imposto é pago sobre o bruto da nota, o empresário acaba subindo de faixa tributária apenas para repassar custos, sem que seu lucro real aumente”, detalha o especialista.

O exemplo citado pelo contador ilustra a gravidade do problema: um empresário que antes faturava até R$ 180 mil anuais pagava uma alíquota de 4%. Hoje, com o aumento dos preços nominais, esse mesmo volume de vendas pode empurrá-lo para um faturamento de R$ 500 mil, elevando a alíquota para 10%.

Somado ao aumento constante da folha de pagamento e dos insumos, esse cenário tem “estagnado o empresário” e reduzido drasticamente as margens de lucro, impedindo novos investimentos.

Perspectivas para 2026

Para retomar o crescimento, Brandão sugere que as PMEs foquem em: Revisão Tributária (identificar se o Simples Nacional ainda é o regime mais vantajoso); Gestão de Custos Rígida (monitorar a margem de contribuição de cada produto para evitar prejuízos camuflados pelo faturamento bruto); Planejamento Estratégico (antecipar mudanças fiscais para proteger o fluxo de caixa).

A expectativa é que o debate sobre a atualização das faixas do Simples ganhe força no Congresso. Ela é vista como uma medida essencial para destravar o potencial das PMEs, empresas que movem a economia brasileira.

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