Desde 2027, Marcela ocupa um espaço na equipe de obras da Empresa Vila, na ocasião, ela era a única mulher do setor. Foto: Divulgação
Delicada, frágil, sensível. Por décadas, esses adjetivos foram atribuídos às mulheres quase como um sinônimo. Mas, para aquelas que estão presentes nos canteiros de obras, escritórios e demais espaços historicamente dominados por homens no mercado de trabalho, outras palavras se impõem antes: determinação, força e resiliência.
No cenário da construção civil, por exemplo, registros do Sistema Confea/Crea mostram que as mulheres representam apenas 20% dos profissionais atuantes na área. Apesar do número tímido, nos últimos 20 anos a presença feminina nos canteiros de obras cresceu 120%. Mais do que estatísticas, os dados materializam vivências que desafiam padrões como a da engenheira civil Marcela Medeiros, de 39 anos.
Gerente de obras há quatro anos, Marcela construiu sua história, ainda na graduação. “Minha caminhada começou como estagiária na Empresa Vila. Depois fui assistente, analista, engenheira civil e, por fim, assumi a gerência do setor. Foi um percurso de muito trabalho e dedicação”, relembra.
Ao falar sobre conquistas, ela não cita cargos ou títulos, mas sim, a confiança dos colegas de trabalho. “Um dos nossos principais desafios é a desconfiança inicial. Muitas vezes, os homens não acreditam plenamente na capacidade da mulher, especialmente na engenharia civil, é necessário provar competência o tempo todo, e eu consegui”, afirma.
Relatos como o de Marcela dialogam com a trajetória de outras mulheres que também constroem espaço em áreas técnicas. É o caso de Mycaela Alessandra, de 32 anos, que atua há 14 anos na área de manutenção industrial e predial. Atualmente, ela é supervisora de manutenção no Natal Shopping, função que ocupa há sete anos, liderando equipes das áreas de elétrica, hidráulica, mecânica, refrigeração e manutenção predial.
Para ela, trabalhar em um ambiente predominantemente masculino nunca foi um impedimento, mas sim uma motivação. “Entendi desde cedo que minha eficiência precisaria falar mais alto do que qualquer estereótipo, isso me encorajou a seguir em frente”, afirma.
Jornada para conquistar espaço e reconhecimento
Apesar de representarem mais da metade da população economicamente ativa, mulheres ainda são minoria nos cargos de liderança no Brasil. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), elas ocupam apenas 39% dessas vagas, cenário que se torna ainda mais restrito em setores que concentram áreas baseadas no raciocínio lógico, cálculos, e pilares da matemática, como a contabilidade, por exemplo.
A trajetória da diretora operacional Lenize Alves ilustra esse recorte da realidade. Foi diante de uma oportunidade de crescimento na carreira que ela percebeu que precisava avançar na própria formação. Depois de três anos atuando como auxiliar administrativa na empresa de assessoria contábil Rui Cadete, decidiu dar um novo passo, ingressar na graduação aos 30 anos.
“Para concorrer a uma vaga de coordenação, resolvi dar esse passo. Entrei na faculdade de Ciências Contábeis em 2004 e, poucos meses depois, fui promovida para coordenadora de treinamento, onde passei a compartilhar conhecimento com novos colaboradores e a treinar equipes nos sistemas e processos da empresa”, relembra.
Ao longo dos anos, a carreira de Lenize seguiu em ascensão. Em maio de 2010, já formada, após participar de um processo seletivo interno, ela assumiu o cargo de diretora operacional, função que ocupa até hoje.
Para a diretora, o segredo é abraçar as oportunidades e acreditar no seu potencial. “Estude, esteja sempre atualizada, procure fazer sempre o seu melhor. Independentemente do que estiver fazendo. Não se prenda a crenças como ‘eu não sou capaz’ ou ‘nessa atividade não terei oportunidade’. Quando se dedica e entrega algo da melhor maneira e no tempo certo, você será vista e vai conquistar seu espaço. É nisso que eu acredito”, finaliza.
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