Daniela Freire, jornalista

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Opinião

Coluna Daniela Freire: chapa Álvaro/Babá é lançada sob benção de notórios corruptos

Chapa Álvaro/Babá foi apresentada neste fim de semana sob as bênçãos de gente condenada por corrupção, como é o caso do próprio presidente do partido de Flávio Bolsonaro, o PL, Valdemar Costa Neto

por: Daniela Freire, do NOVO Notícias

Publicado 23 de março de 2026 às 16:14

Uma das cenas que mais chamaram a atenção no evento do PL com Flávio Bolsonaro em Natal foi a receptividade calorosa que o deputado Sóstenes Cavalcante foi recebido. Na imagem abaixo, o pré-candidato ao Senado do grupo Rogério/Álvaro, Coronel Hélio, e a candidata à reeleição de deputada Carla Dickson em abraços com o parlamentar pego em operação da PF com mais de 400 mil reais em dinheiro vivo no seu apartamento. É a turma que se diz “contra corrupção por um Brasil melhor”

Flávio em Natal
O evento que recebeu em Natal, neste sábado, o senador e pré‑candidato a presidente da República Flávio Bolsonaro, para uma ampla filiação ao PL em solo potiguar e o lançamento oficial da chapa Álvaro Dias/Babá Pereira, lotou o Boulevard, contou com discurso do senador candidato à reeleição e líder das pesquisas Styvenson Valentim, que já declarou não ser “bolsonarista”, mas teve pontos questionáveis, como a ausência da maioria dos 90 prefeitos ditos aliados do grupo. Segundo divulgado, apenas pouco mais de 30 compareceram.

E os prefeitos?
Em entrevista ao Tamo Junto, na 88FM Universitária, na última quinta‑feira (19), Babá Pereira disse que esperava a presença de grande parte dos chefes de Executivo. Não foi o que aconteceu sábado. O vice de Álvaro também confirmou ao TMJ o Coronel Hélio como segundo senador da chapa, Nina Souza no PL e a presença do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Ezequiel Ferreira.

Ausência sentida
Ezequiel, no entanto, não deu as caras no evento do PL com Flávio Bolsonaro. Esse foi um dos pontos que chamou atenção. O presidente da Assembleia deverá presidir o Republicanos no RN, hoje ainda comandado por Álvaro Dias, que não se filiou ao PL no evento com Flávio, como foi propagado pelo seu próprio grupo político, inclusive pelo seu vice, Babá. Então, a não‑filição do ex‑prefeito de Natal foi mais um fato negativo sobre a festa da extrema‑direita no Boulevard.

Benção de corruptos
Vale ressaltar que a chapa Álvaro/Babá foi apresentada neste fim de semana sob as bênçãos de gente condenada por corrupção, como é o caso do próprio presidente do partido de Flávio Bolsonaro, o PL, Valdemar Costa Neto, e do pastor evangélico e deputado federal Sóstenes Cavalcante, que foi alvo da Operação Galho Fraco, da PF, quando foram encontrados em seu apartamento quase R$ 470 mil em dinheiro vivo.

Ficha criminal
Além de ter sido preso no processo do mensalão, em 2014, o presidente nacional do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto, foi detido em flagrante pela Polícia Federal em 8 de fevereiro de 2024, em Brasília, durante a Operação Tempus Veritatis. A prisão ocorreu por porte ilegal de arma de fogo e, posteriormente, por posse de uma pepita de ouro de origem não comprovada.

Ex‑lulista?
Outro detalhe que chamou muita atenção aconteceu na saída do evento do PL, quando, ao lado de Flávio Bolsonaro, Álvaro Dias foi questionado pela imprensa sobre o seu recente passado “lulista”. Álvaro já detonou Rogério Marinho, líder do PL e do bolsonarismo no RN, que desistiu de ser candidato ao governo e colocou o ex‑prefeito no seu lugar. Ele disse que Marinho tinha barrado o envio de dinheiro para Natal. Nesse mesmo período, Álvaro teceu diversos elogios ao atual presidente Lula.

Saia justa
Nesse momento, Flávio Bolsonaro não deixou Álvaro, que gaguejou, responder ao questionamento do repórter e interferiu, afirmando que o seu candidato ao governo no RN “ele agora sabe o que é melhor para o Brasil e para o RN”.

Contraste
O episódio expõe um contraste difícil de ignorar. O nome que evita rótulos ideológicos hoje depende justamente da direita para sustentar sua narrativa, enquanto o passado volta à tona e cobra explicações. Além de Álvaro, quem também cabe nessa caixa é Styvenson Valentim, que nacionalmente joga como centrão e vota a favor da gestão Lula em cerca de 70% dos projetos apresentados, mesmo se vendendo como “blefe de direita”.

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