Visita de ministros do Supremo à casa de praia do senador levanta debate político sobre discurso e prática no relacionamento entre os Poderes. | Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado
O senador Rogério Marinho (PL), pré-candidato ao Governo do Rio Grande do Norte, construiu nos últimos anos uma atuação política marcada por críticas frequentes ao Supremo Tribunal Federal (STF). Em discursos públicos e nas redes sociais, o parlamentar cobra de forma insistente uma separação rígida entre os Poderes e acusa a Corte de interferir além dos limites constitucionais.
Esse discurso, no entanto, passou a ser questionado após a divulgação, nesta quarta-feira (7), pelo portal O Potiguar, de que Marinho recebeu ministros do STF para um fim de semana em sua casa de praia, em Búzios, no litoral do Rio de Janeiro. A informação foi publicada pela jornalista Thaisa Galvão. Entre os convidados estariam os ministros André Mendonça e Nunes Marques — este último apontado como futuro presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

É importante destacar que não há qualquer ilegalidade, crime ou infração institucional no encontro. Reuniões privadas entre autoridades, fora do exercício formal de suas funções, não são proibidas e fazem parte da convivência política brasileira.
A situação chama atenção porque contrasta diretamente com o tom adotado pelo senador em suas manifestações públicas, segundo O Potiguar. Ao eleger o STF como alvo constante de críticas e ao defender, de forma enfática, o distanciamento entre os Poderes, Rogério Marinho elevou o debate para um campo moral e simbólico — no qual cobra posturas rígidas e comportamentos exemplares.
Diante disso, a recepção informal e amistosa de ministros da Corte em um ambiente privado levanta questionamentos sobre a aplicação dessa mesma régua ao próprio comportamento do parlamentar.
O episódio evidencia uma diferença clara entre o discurso direcionado ao público e a prática adotada nos bastidores da política. Longe das redes sociais e dos embates retóricos, a relação entre Poderes parece menos tensa e mais flexível do que aquela apresentada diariamente ao eleitor.
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