O presidente do Sindipesca-RN acrescenta que ao optar por peixes pescados em alto-mar, o consumidor praticamente elimina o risco de adquirir um produto contaminado por ciguatera
Publicado 4 de março de 2026 às 08:19
A compra e o consumo de peixes são seguros, se o consumidor adquirir o pescado em estabelecimentos registrados e que identifiquem a origem dos produtos comercializados. A afirmação é do presidente do Sindicato da Indústria da Pesca do Rio Grande do Norte (Sindipesca-RN), Arimar França Filho. Ele destaca que, com esse cuidado, o pescado é adquirido com a tranquilidade de se tratar de um alimento de qualidade, em conformidade com as normas sanitárias e de integridade.
O presidente do Sindipesca-RN acrescenta que, ao optar por peixes pescados em alto-mar, o consumidor praticamente elimina o risco de adquirir um produto contaminado por ciguatera. A primeira notificação sobre a presença da toxina causadora do problema no Estado ocorreu em 2022. Segundo Arimar França, ao seguir as recomendações quanto à espécie consumida e ao estabelecimento escolhido para a compra, o pescado é adquirido com segurança em relação a essa possibilidade.
Ele ressalta que espécies como atum, meca, cavala, cação e dourado são capturadas por embarcações que operam a mais de 500 quilômetros da costa. Nesse tipo de pesca, não há risco de captura de peixes com a toxina responsável pela ciguatera.
A toxina está presente em microalgas associadas a recifes de coral. Por isso, apenas peixes que vivem em áreas recifais, portanto em águas próximas à costa, apresentam possibilidade de contaminação, a exemplo de arabaiana, bicuda e guariba.
Para o presidente do Sindipesca-RN, a população deve contribuir adquirindo pescado em estabelecimentos formais, que mantenham o registro da origem do produto. Ele recomenda, ainda, atenção na escolha das espécies, priorizando aquelas pescadas em alto-mar, que reduzem ou praticamente anulam o risco de contaminação por ciguatera.
“Os produtos certificados, comercializados em estabelecimentos registrados, que possuem o SIF [Serviço de Inspeção Federal] ou são fiscalizados pela vigilância sanitária estadual ou municipal, garantem a oferta de produtos com origem identificada e que cumprem as normas em todas as etapas, desde a captura até a chegada ao ponto de venda ou à mesa, no caso dos restaurantes”, afirma. “É importante observar esses critérios e fazer uma escolha segura”, acrescenta Arimar França.
Veterinária explica que garantia de origem assegura qualidade do pescado
A veterinária Ana Carolina Braga, especialista em Gestão da Segurança de Alimentos de Origem Animal, explica que o principal fator para assegurar a qualidade do pescado é a garantia da origem. “É preciso ter certeza de onde vem o pescado”, ressalta. Segundo ela, a rastreabilidade permite verificar se o peixe não foi capturado, por exemplo, em áreas contaminadas.
A identificação da origem descarta a possibilidade de o produto ser proveniente de região com risco de intoxicação pela toxina que provoca a ciguatera. “Além disso, o desconhecimento da procedência pode trazer outros problemas. Sem a informação de origem, não é possível assegurar a adoção de boas práticas e a realização de análises que evitem a comercialização de produtos contaminados por metais pesados ou parasitas. Tudo isso é minimizado quando se conhece a origem”, observa.
Com o registro adequado, acrescenta, é possível identificar inclusive a embarcação utilizada na pesca. “Isso é relevante porque, se necessário, pode-se confirmar se a embarcação adotou o manejo de acordo com as normas. Esse controle é fundamental”, afirma.
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