Com avanço das chuvas no interior do RN, reservatórios registram recarga e melhoram cenário da segurança hídrica no estado. | Foto: Reprodução

Cotidiano

Recursos Hídricos Chuvas elevam reservas no RN e barragem atinge 100% da capacidade

Relatório do Igarn mostra aumento no volume de 69 mananciais monitorados; Dinamarca começa a sangrar no interior do estado

por: NOVO Notícias

Publicado 2 de março de 2026 às 17:45

As chuvas das últimas semanas já começam a mudar o cenário da segurança hídrica no RN. Relatório divulgado nesta segunda-feira (2) pelo Instituto de Gestão das Águas do RN (Igarn) aponta que os 69 mananciais monitorados pelo órgão acumulam atualmente 1,99 bilhão de metros cúbicos, o que representa 37,62% da capacidade total. O avanço é relevante para municípios que dependem diretamente desses reservatórios para abastecimento humano e atividades produtivas.

No levantamento anterior, publicado em 23 de fevereiro, o volume armazenado era de 1,93 bilhão de metros cúbicos, equivalente a 36,66% da capacidade. O comparativo indica crescimento nas reservas superficiais do estado, reflexo direto das precipitações registradas em diferentes regiões do RN.

O destaque do boletim é a barragem Dinamarca, localizada em Serra Negra do Norte. O reservatório alcançou 100% da capacidade no domingo (1º) e começou a verter, situação popularmente conhecida como “sangria”. Responsável pelo abastecimento do município, a barragem tem capacidade para 2,7 milhões de metros cúbicos. No relatório anterior, acumulava apenas 8,30% do total.

Outros 35 reservatórios também registraram aumento no volume armazenado, reforçando o cenário de recarga em várias regiões do interior potiguar.

Recarga em diferentes municípios

Entre os açudes que apresentaram crescimento expressivo está o Novo Angicos, no município de Angicos, que passou de 14,87% para 50,25% da capacidade total. Em Rodolfo Fernandes, o açude Sossego saiu de 11,03% para 43,99%.

Já o açude Japi II, em São José do Campestre, atingiu 43,52% da capacidade. Em Cerro Corá, o açude Pinga chegou a 74,16% do volume máximo. Os dados mostram avanço consistente na recuperação hídrica em diferentes pontos do estado.

Grandes reservatórios seguem em recuperação

Entre os maiores mananciais do RN, a barragem de Oiticica, segundo maior reservatório estadual, acumula atualmente 168,7 milhões de metros cúbicos, o equivalente a 22,72% da capacidade total. O número representa crescimento em relação ao levantamento anterior.

A Barragem Armando Ribeiro Gonçalves, maior reservatório do RN, registra 42,17% da capacidade total. Já a Barragem Santa Cruz do Apodi acumula 53,53%.

Impacto direto no abastecimento

O aumento no volume dos reservatórios é considerado estratégico para o RN, especialmente em um estado marcado historicamente por períodos de estiagem. A recuperação gradual das reservas reforça a segurança hídrica para municípios do interior e reduz o risco de medidas emergenciais de abastecimento nos próximos meses.

Reservatórios em estado de alerta

Apesar das recargas observadas, 20 reservatórios permanecem com volumes inferiores a 10% da capacidade total, configurando estado de alerta. São eles:

  • Boqueirão de Parelhas (Parelhas) – 9,18%;
  • Itans (Caicó) – 0,05% (estava seco no levantamento anterior);
  • Sabugi (São João do Sabugi) – 1,33%;
  • Passagem das Traíras (São José do Seridó) – 0,03%;
  • Esguicho (Ouro Branco) – 1,58%;
  • Carnaúba (São João do Sabugi) – 9,48%;
  • Bonito II (São Miguel) – 4,36%;
  • Dourado (Currais Novos) – 6,28%;
  • Apanha Peixe (Caraúbas) – 3,23%;
  • Gangorra (Rafael Fernandes) – 3%;
  • Jesus Maria José (Tenente Ananias) – 0,42%;
  • Beldroega (Paraú) – 4,65%;
  • Tourão (Patu) – 2,50%;
  • Zangarelhas (Jardim do Seridó) – 6,93%;
  • Brejo (Olho D’Água do Borges) – 0,29%;
  • 25 de Março (Pau dos Ferros) – 4,38%;
  • São Gonçalo (São Francisco do Oeste) – 2,84%;
  • Mundo Novo (Caicó) – permanece seco;
  • Inspetoria (Umarizal) – 3,42%;
  • Lulu Pinto (Luís Gomes) – 0,01%.

O Igarn informou que segue monitorando diariamente os níveis dos mananciais e reforça a importância do uso racional da água, especialmente nas regiões onde os reservatórios ainda apresentam volumes críticos.

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