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Arte Casa da Ribeira celebra 25 anos como farol da cultura independente

Atividades para 2026 têm início com a realização do Festival Verão Aquilombado de 06 a 08 de março

por: NOVO Notícias

Publicado 26 de fevereiro de 2026 às 10:45

Há 25 anos, um casarão centenário na rua Frei Miguelinho, no bairro da Ribeira, deixava de ser apenas memória arquitetônica para se tornar símbolo vivo de criação, resistência, educação pela Arte e reinvenção cultural.

A Casa da Ribeira celebra, em 2026, um quarto de século de história e inicia as comemorações com o Festival Verão Aquilombado, de 6 a 8 de março, reafirmando seu compromisso com o passado, o presente e o futuro da arte e cultura, no Rio Grande do Norte e no Brasil.

Antes de ser reconhecida internacionalmente como espaço cultural independente, a Casa foi hospedaria, padaria e armazém. As paredes erguidas por mãos anônimas jamais imaginaram que, depois de 10 anos de portas fechadas, ali floresceria um território de desenvolvimento humano através da arte, experimentação artística e encontro comunitário.

No fim dos anos 1990, o sonho ganhou forma pelas mãos dos então integrantes e o Grupo de Teatro Clowns de Shakespeare e produtores independentes, que buscavam um espaço para ensaios e apresentações, mas vislumbrava muito mais: um teatro, uma sala de exposições e um café cultural abertos à cidade.

O que era desejo tornou-se mobilização. A restauração do prédio, aprovada na Lei Rouanet e na Lei Câmara Cascudo, exigia a captação de cerca de R$ 819 mil, valor expressivo para jovens artistas e produtores ainda desconhecidos do empresariado local. A resposta veio das ruas: o projeto “Na Rua da Casa”, realizado mensalmente a partir de 11 de julho de 1999, ocupou as ruínas do casarão centenário e sua rua (Frei Miguelinho) com música, teatro, dança, circo e exposições gratuitas.

A cidade passou a olhar para o projeto. Em 2000, a Cosern (à época grupo Iberdrola) e a Petrobras, além de várias empresas locais que apoiaram sem incentivos fiscais, viabilizaram a restauração definitiva do espaço, inaugurando uma trajetória que, ao longo dos anos, contou com o apoio de instituições como Cosern, Banco do Brasil, Caixa Econômica, Grupo Marquise, Sesc e Itaú Cultural.

Mais que vocação artística, a Casa da Ribeira tornou-se prática concreta de restauração urbana integrada ao bairro histórico que resiste há décadas. Em um tempo em que o desenvolvimento muitas vezes se confunde com demolição e padronização arquitetônica, a Casa permanece como crítica viva e poética à lógica do apagamento provando que preservar também é avançar.

Números que contam uma história

Em 25 anos, a Casa da Ribeira construiu um legado que ultrapassa estatísticas, mas que também se traduz em números expressivos: 542.981 espectadores; 2.810 espetáculos apresentados; 51 exposições de artes visuais; 54 projetos artísticos, culturais e educativos realizados; 28 editais de ocupação abertos e 06 prêmios locais e nacionais conquistados.

Cada número carrega vozes, corpos em cena, plateias emocionadas, debates urgentes e novas gerações formadas no exercício da sensibilidade crítica. Hoje, a Casa é conduzida por uma liderança que sintetiza experiência, pensamento contemporâneo e compromisso social. A presidente Alessandra Augusta, atriz e pesquisadora de Teatro Negro, Feminismo e Ancestralidade; o diretor social Henrique Fontes, dramaturgo premiado nacionalmente; a diretora administrativa-financeira Ana Cláudia Viana, pesquisadora e bailarina com mais de três décadas de atuação; e a gerente administrativa Jeane Ataíde, especialista em gestão de projetos culturais incentivados, formam uma equipe que mantém viva a missão do espaço.

Em uma fala coletiva, a liderança da Casa afirma. “Ao completar 25 anos, a Casa da Ribeira reafirma que cultura não é ornamento: é fundamento. O passado sustenta, o presente pulsa e o futuro se constrói no encontro. Em cada espetáculo, exposição ou debate, a Casa segue sendo abrigo de ideias, território de resistência e educação através das artes independentes em Natal, no Rio Grande do Norte e no Brasil”.

Em um país onde espaços culturais independentes lutam diariamente para permanecer em atividade, a Casa da Ribeira representa a persistência de um modelo que entende cultura como direito, formação cidadã e construção de identidade coletiva. Sua existência reafirma a importância da autonomia artística e da continuidade histórica para a manutenção da memória e da diversidade cultural de um povo. A Casa é um dos únicos espaços culturais independentes no Brasil que se mantém aberto por 25 anos, com apenas uma intercorrência, em 2004, quando a diretoria se viu forçada a fechar por 3 meses. 

Festival Verão Aquilombado abre as celebrações dos 25 anos

O Festival Verão Aquilombado inaugura o ano comemorativo da Casa da Ribeira entre os dias 6 e 8 de março de 2026, com programação gratuita dentro e fora do espaço cultural. Mais do que um festival, trata-se de um aquilombamento contemporâneo: um encontro de narrativas negras e LGBTQIAPN+, promovendo fruição artística, economia criativa e diálogo intercultural.

Com mais de 30 atrações, o festival reúne dança, música, teatro, contação de histórias, artes visuais, cinema, culturas tradicionais e uma feira de afroempreendedorismo instalada na rua, onde artesanato, moda e gastronomia dialogam com inovação tecnológica, “pink money”, debates sobre decolonialidade e práticas antirracistas.

O projeto foi aprovado no Edital de Fomento às Artes Integradas e Outras Expressões Artísticas – 08/2024 – Ações Culturais – Faixa 02 – PNAB SECULT/RN. Conta com apoio da Fundação José Augusto, através da Secretaria de Cultura do RN, Governo do Estado do RN, Sistema Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, Ministério da Cultura e Governo Federal. 

Programação – Festival Verão Aquilombado

06 de março (sexta-feira) – a partir das 19h

  • 19h – Cerimonial do Aniversário de 25 anos da Casa da Ribeira (Sala de Teatro/Exibição)
  • 20h – Solo “Eu Fêmea”, com Rozeane Oliveira (Sala de Teatro/Exibição)

07 de março (sábado) – das 15h às 22h

  • 15h – Abertura da Feira de Afroempreendedorismo (rua)
  • 15h – Apresentação do Grupo Folia de Rua Potiguar (rua)
  • 15h às 22h – Exposição “A Jurema Sagrada e o povo da rua: a encruzilhada que abre caminhos”, de Maya Torres e Isa Antoniazzi (Sala de Arte Contemporânea)
  • 16h – Contação de histórias africanas para o público infantil com Iyalê (Café Cultural/Ponto de Leitura)
  • 18h – Debate sobre Economia e Afroempreendedorismo com Stéphanie Moreira e Judson Andrade (Sala de Teatro/Exibição)
  • 19h – Mostra Aquilombar-se – Exibição de 08 curta-metragens potiguares com Curadoria Auana Câmara e da Distribuição Kaboca Filmes (Sala de Teatro/Exibição)

08 de março (domingo) – das 15h às 22h

  • 15h – Feira de Afroempreendedorismo (rua)
  • 15h às 22h – Exposição “A Jurema Sagrada e o povo da rua: a encruzilhada que abre caminhos” (Sala de Arte Contemporânea)
  • 16h – Contação de histórias africanas com Iyalê (Café Cultural/Ponto de Leitura)
  • 17h às 19h – Cypher de Breaking com grupos convidados e mediação de Kamal (rua)
  • 19h30 – Apresentações livres de Slammers e mediação de Amém Ore e Adaaayo (10 artistas convidados – Sala de Teatro/Exibição)
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