Maycon é apontado nas investigações como sócio formal da Dismed, apontada como um dos focos do esquema de desvio de recursos públicos. Foto: Reprodução
Maycon Lucas Zacarias Soares tinha sido nomeado para a Câmara Municipal de Ruy Barbosa no dia 19 de janeiro de 2026, por meio de ato assinado pela presidente da Casa
Publicado 30 de janeiro de 2026 às 16:01
A presidente da Câmara Municipal de Ruy Barbosa, Francisca Eliene de Moura Macedo, publicou nesta sexta-feira (30) a exoneração do advogado Maycon Lucas Zacarias Soares, que é investigado pela operação Mederi, ação da Polícia Federal e da Controladoria-geral da União que envolve o prefeito de Mossoró, Alysson Bezerra (União).
A investigação identificou um prejuízo mínimo estimado em R$ 13,3 milhões em contratos de fornecimento de medicamentos firmados por cinco prefeituras do Rio Grande do Norte. Entre os municípios investigados, Mossoró concentrou a maior parte dos recursos, com pagamentos que somam R$ 9,58 milhões, o equivalente a 71,8% do total apurado.
No dia da operação, um dos mandados de busca e apreensão foi na casa do prefeito Alysson Bezerra. Os policiais apreenderam, de acordo com o próprio prefeito, celular, computador e tablet.
Maycon Lucas Zacarias Soares tinha sido nomeado para a Câmara Municipal de Ruy Barbosa no dia 19 de janeiro de 2026, por meio de ato assinado pela presidente da Casa. A nomeação foi publicada apenas oito dias antes das buscas. Maycon é apontado nas investigações como sócio formal da Dismed Distribuidora de Medicamentos Ltda, apontada como um dos focos do esquema de desvio de recursos públicos.
As apurações da Operação Mederi indicam que Maycon Lucas atuava na emissão de notas fiscais sem lastro para lavagem de dinheiro e em articulações de processos licitatórios. Ele também teria assumido a titularidade de uma holding empresarial para ocultar patrimônio após o grupo saber das investigações.
A investigação destacou ainda que Maycon exerceria funções operacionais relevantes no esquema, conferindo aparência de legalidade a recursos ilícitos. O esquema investigado apura desvios na área da saúde pública nos municípios de Serra do Mel, Tibau, Paraú, São Miguel e José da Penha.
De acordo com o desembargador federal Rogério Fialho Moreira, do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5), os indícios levantados pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União (CGU) apontam possíveis entregas parciais de medicamentos, superfaturamento e pagamento integral de notas fiscais. A soma dos contratos investigados resultou no valor de R$ 13.339.021,31, considerado suficiente, neste momento, para garantir a reparação dos danos.
Para evitar a dilapidação de patrimônio, a Justiça autorizou o bloqueio de contas bancárias, imóveis, veículos, aplicações financeiras e criptoativos, por meio de sistemas como Sisbajud, Renajud, Criptojud e do Cadastro Nacional de Indisponibilidade de Bens. A decisão busca impedir novos prejuízos e assegurar eventual devolução dos recursos públicos.
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