Exaustão ligada ao trabalho pode evoluir para burnout quando não é identificada e tratada a tempo. | Foto: Reprodução
A discussão sobre saúde mental no trabalho ganhou mais espaço nos últimos anos, mas a realidade de jornadas longas, cobranças excessivas e pressão constante ainda faz parte do cotidiano de muitos profissionais. Nesse cenário, um problema sério costuma ser subestimado: a síndrome de burnout.
Reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como doença ocupacional desde 2022, a condição está diretamente ligada ao trabalho e vai muito além de um período passageiro de estresse ou cansaço.
Embora os sintomas possam parecer semelhantes, especialistas explicam que há uma diferença importante entre estresse comum e burnout. O estresse é uma resposta natural do corpo diante de situações pontuais e tende a diminuir com descanso ou reorganização da rotina.
“O estresse faz parte da vida e pode surgir por diversos motivos, como problemas familiares ou financeiros. Em geral, ele é temporário”, explica a psicóloga Yamara Garcia, do Grupo Reinserir, em São Paulo.
Já o burnout se desenvolve quando há exposição prolongada a um trabalho emocionalmente exigente, sem tempo adequado para recuperação. “É um esgotamento profundo, físico, emocional e mental”, completa a especialista.
Quando a síndrome se instala, os efeitos atingem diretamente o desempenho profissional e a vida pessoal. Pessoas com burnout costumam relatar sensação de incompetência, queda de produtividade, desmotivação e dificuldade de concentração.
“É fundamental estar atento às alterações fisiológicas, emocionais e comportamentais”, alerta a psicóloga Larissa Rebouças, do Hospital Brasília.
Segundo as especialistas, alguns sinais recorrentes indicam que a pessoa pode estar à beira do burnout:
Sinais físicos
Sinais emocionais
Sinais comportamentais
Um dos sinais mais preocupantes do burnout é a incapacidade de relaxar ou sentir prazer, mesmo fora do ambiente de trabalho. Com o tempo, os sintomas passam a afetar relacionamentos, bem-estar emocional e qualidade de vida.
A orientação é procurar ajuda profissional assim que os primeiros sinais persistirem. Quanto mais cedo o tratamento começa, maiores são as chances de recuperação sem agravamento do quadro.
“A psicoterapia é fundamental, pois ajuda o indivíduo a repensar sua relação com o trabalho e a desenvolver estratégias mais saudáveis. Também é importante avaliar a necessidade de suporte medicamentoso”, explica Larissa.
Muitos trabalhadores ignoram os sinais por acreditarem que o problema é passageiro ou por medo de parecerem fracos. No entanto, reconhecer os limites e buscar apoio é o primeiro passo para evitar consequências mais graves.
Mudanças no estilo de vida, pausas regulares, reorganização da rotina e apoio psicológico são medidas importantes no enfrentamento do burnout.
Segundo Yamara Garcia, o cuidado deve ser coletivo, mas merece atenção especial no caso das mulheres. “Em muitos lares brasileiros, elas acumulam a jornada profissional com a responsabilidade de chefiar a família, o que aumenta a sobrecarga emocional e a incidência do burnout”, afirma.
Sem tratamento adequado, a síndrome pode evoluir para quadros mais severos, como depressão e crises de ansiedade, reforçando a importância do diagnóstico precoce.
Receba notícias em primeira mão pelo Whatsapp
Assine nosso canal no Telegram
Siga o NOVO no Instagram
Siga o NOVO no Twitter
Acompanhe o NOVO no Facebook
Acompanhe o NOVO Notícias no Google Notícias