Exaustão ligada ao trabalho pode evoluir para burnout quando não é identificada e tratada a tempo. | Foto: Reprodução

Cotidiano

Saúde Burnout à vista: psicólogos alertam para sinais ignorados que indicam esgotamento extremo

Cansaço constante, perda de motivação e irritabilidade frequente podem indicar algo além do estresse do dia a dia

por: NOVO Notícias

Publicado 4 de janeiro de 2026 às 19:25

A discussão sobre saúde mental no trabalho ganhou mais espaço nos últimos anos, mas a realidade de jornadas longas, cobranças excessivas e pressão constante ainda faz parte do cotidiano de muitos profissionais. Nesse cenário, um problema sério costuma ser subestimado: a síndrome de burnout.

Reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como doença ocupacional desde 2022, a condição está diretamente ligada ao trabalho e vai muito além de um período passageiro de estresse ou cansaço.

Embora os sintomas possam parecer semelhantes, especialistas explicam que há uma diferença importante entre estresse comum e burnout. O estresse é uma resposta natural do corpo diante de situações pontuais e tende a diminuir com descanso ou reorganização da rotina.

“O estresse faz parte da vida e pode surgir por diversos motivos, como problemas familiares ou financeiros. Em geral, ele é temporário”, explica a psicóloga Yamara Garcia, do Grupo Reinserir, em São Paulo.

Já o burnout se desenvolve quando há exposição prolongada a um trabalho emocionalmente exigente, sem tempo adequado para recuperação. “É um esgotamento profundo, físico, emocional e mental”, completa a especialista.

Impactos vão além do cansaço

Quando a síndrome se instala, os efeitos atingem diretamente o desempenho profissional e a vida pessoal. Pessoas com burnout costumam relatar sensação de incompetência, queda de produtividade, desmotivação e dificuldade de concentração.

“É fundamental estar atento às alterações fisiológicas, emocionais e comportamentais”, alerta a psicóloga Larissa Rebouças, do Hospital Brasília.

Principais sinais de alerta

Segundo as especialistas, alguns sinais recorrentes indicam que a pessoa pode estar à beira do burnout:

Sinais físicos

  • Cansaço extremo e persistente
  • Insônia ou sono de má qualidade
  • Dores de cabeça, musculares ou no estômago
  • Queda da imunidade

Sinais emocionais

  • Falta de motivação e energia
  • Sensação constante de fracasso ou impotência
  • Ansiedade ou tristeza sem causa aparente
  • Irritabilidade frequente

Sinais comportamentais

  • Distanciamento emocional do trabalho
  • Queda de rendimento ou procrastinação
  • Isolamento de colegas, amigos ou familiares
  • Uso excessivo de café, álcool ou medicamentos para manter a rotina

Quando procurar ajuda

Um dos sinais mais preocupantes do burnout é a incapacidade de relaxar ou sentir prazer, mesmo fora do ambiente de trabalho. Com o tempo, os sintomas passam a afetar relacionamentos, bem-estar emocional e qualidade de vida.

A orientação é procurar ajuda profissional assim que os primeiros sinais persistirem. Quanto mais cedo o tratamento começa, maiores são as chances de recuperação sem agravamento do quadro.

“A psicoterapia é fundamental, pois ajuda o indivíduo a repensar sua relação com o trabalho e a desenvolver estratégias mais saudáveis. Também é importante avaliar a necessidade de suporte medicamentoso”, explica Larissa.

Como enfrentar o esgotamento profissional

Muitos trabalhadores ignoram os sinais por acreditarem que o problema é passageiro ou por medo de parecerem fracos. No entanto, reconhecer os limites e buscar apoio é o primeiro passo para evitar consequências mais graves.

Mudanças no estilo de vida, pausas regulares, reorganização da rotina e apoio psicológico são medidas importantes no enfrentamento do burnout.

Segundo Yamara Garcia, o cuidado deve ser coletivo, mas merece atenção especial no caso das mulheres. “Em muitos lares brasileiros, elas acumulam a jornada profissional com a responsabilidade de chefiar a família, o que aumenta a sobrecarga emocional e a incidência do burnout”, afirma.

Sem tratamento adequado, a síndrome pode evoluir para quadros mais severos, como depressão e crises de ansiedade, reforçando a importância do diagnóstico precoce.

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