Decisão do governo brasileiro acompanha política adotada pela China e sinaliza aprofundamento das relações bilaterais. | Foto: Ricardo Stuckert/PR
O Brasil vai conceder isenção de vistos de curta duração a cidadãos chineses. A decisão foi anunciada pelo presidente Lula (PT) após conversa telefônica com o presidente da China, Xi Jinping, na noite desta quinta-feira (22), e divulgada oficialmente pelo Palácio do Planalto nesta sexta-feira (23). A medida segue o princípio da reciprocidade e é considerada estratégica para a relação bilateral.
Segundo o governo brasileiro, a isenção faz parte do esforço para ampliar a cooperação entre os dois países em áreas classificadas como “fronteiras do conhecimento”, com foco em inovação, tecnologia e desenvolvimento. O tema foi tratado diretamente entre os presidentes durante o telefonema, que durou cerca de 45 minutos.
A decisão brasileira responde à política adotada pela China desde 2025. Desde 1º de junho daquele ano, cidadãos brasileiros passaram a entrar no país asiático sem a exigência de visto para viagens de curta duração. Inicialmente válida por um ano, a medida foi prorrogada até 31 de dezembro de 2026.
Além do Brasil, a isenção chinesa também se aplica a cidadãos da Argentina, Chile, Peru e Uruguai. Ao todo, a política unilateral da China alcança 45 países. O objetivo declarado é facilitar o fluxo de pessoas para negócios, turismo, visitas familiares, intercâmbios e trânsito, com permanência de até 30 dias.
Durante a conversa, Lula e Xi destacaram o fortalecimento da relação entre Brasil e China nos últimos anos, especialmente após a visita do líder chinês ao Brasil, em 2024. Os presidentes mencionaram avanços na construção da Comunidade de Futuro Compartilhado Brasil-China, iniciativa voltada para desenvolvimento sustentável e cooperação de longo prazo.
Os dois países também apontaram convergências em projetos nacionais de desenvolvimento, com destaque para infraestrutura, transição ecológica e tecnologia. Esses setores são considerados prioritários nas agendas dos dois governos.
No plano global, Lula reafirmou o papel de Brasil e China na defesa do multilateralismo, do direito internacional e do livre comércio. Ambos reiteraram apoio ao fortalecimento das Nações Unidas como instituição central para a promoção da paz e da estabilidade mundial.
Segundo a agência estatal chinesa Xinhua, Xi Jinping afirmou que Brasil e China devem atuar na proteção dos interesses do Sul Global e na preservação do papel central da ONU, mesmo diante de um cenário internacional instável. O presidente chinês também reforçou que a China mantém parceria estratégica com a América Latina e o Caribe.
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