ENTREVISTA – AMARO SALES

No momento em que as pesquisas indicam uma retomada da confiança dos empresários na economia com vistas ao segundo semestre, a FIERN promove a Semana da Indústria. Qual a contribuição que a FIERN traz com esta programação?

A FIERN faz, há muitos anos, a pesquisa do Índice de Confiança do Empresário Industrial – ICEI. O empresário, desde o início da pandemia, viu as expectativas caírem a níveis preocupantes, mas agora chega a quase 60% de confiança. O que mostra que depois de um ano e três meses, o empresário volta a se preocupar com o futuro. E com um otimismo, de onde vai alavancar para ter uma indústria competitiva. E a Semana da Indústria vem discutir temas importantes para o Rio Grande do Norte. Acredito que esse crescimento do ICEI vem em boa hora, pois precisamos retomar a economia que é movida por ações. E a principal ação é a vacinação. No momento em que as pessoas estão sendo vacinadas e mantêm as medidas de segurança, como uso de máscara, álcool em gel e o distanciamento social, elas começam a caminhar para o otimismo. A pesquisa nos deixa felizes pela confiança de que vai acontecer algo diferente mais à frente. A Semana da Indústria traz oportunidades de os empresários discutirem temas importantes para a retomada.

Um dos temas da Semana da Indústria será Inovação. Inovação tem sido uma meta do empresariado norte-rio-grandense?

Uma meta do mundo. Inovação sempre foi tida como algo destinado às grandes empresas. Mas, hoje, as pequenas e médias empresas pensam inovação até para a sobrevivência, competitividade e participação no mercado. O Rio Grande do Norte tem no seu portfólio de empresas, 95% de micro e pequenas empresas. Não podemos esquecer que esses 5% de grandes companhias têm que se destacar, mas os micro e pequenos precisam inovar para sobreviver. E o Sistema FIERN preocupado com isso, traz esse tema em sua primeira palestra para debater Inovação nas micros e pequenas empresas.

O senhor tem defendido um esforço conjunto pela vacinação contra a Covid-19. E lançou, pela FIERN, o programa Ação pela Vida que tem contribuído para a imunização em Natal e Mossoró, inclusive com o principal ponto de vacinação na capital.  Quais os resultados até agora?

Quando se apresentou a proposta de parceria entre o Sistema FIERN, através do SESI, com as Prefeituras de Natal e Mossoró, vimos a oportunidade de usar as instalações já existentes, colaboradores que já contribuem para o bem-estar das pessoas para em um momento de angústia como esse prestar a população um atendimento de forma digna. E com essas duas parcerias firmadas, o Sistema FIERN conseguiu ainda colocar fim a um tabu, promovendo uma união entre o setor público e a iniciativa privada trazer um atendimento de alta qualidade. Entendemos que a vacina é o maior remédio para a pandemia, além das medidas de higiene e distanciamento social. Juntos com essas duas prefeituras, o Sistema FIERN já atingiu a marca histórica de 30 mil pessoas vacinadas. E esperamos, até o final da campanha de imunização, darmos uma contribuição ainda mais representativa à sociedade.

Voltando à Semana da Indústria: uma das conferências trará representantes de grandes empresas internacionais de energia eólica. O Rio Grande do Norte tem o Instituto SENAI de Inovação em Energias Renováveis, único do país nesta área. Qual a importância do setor para a indústria do RN?

A indústria do Rio Grande do Norte tem em sua diversificada matriz econômica, as energias renováveis. O estado é um dos maiores geradores de energias do país e o maior do Nordeste, traz um centro de tecnologia, criado por meio do SENAI, para desenvolver pesquisas e acompanhar empresas no estado. Hoje na economia potiguar, em nível de investimentos, temos mais de R$ 5 bilhões em energias renováveis. A FIERN, por meio do ISI-ER, apoia as empresas e também o governo, com a confecção do Mapa Eólico. Temos 170 parques instalados, 70 em construção, a maior geração de energia dos ventos instalada, em construção e em projeto futuro. Para o beneficiamento dessa energia chegar à ponta final. Tratar disso na Semana da Indústria dá a garantia do forte direcionamento da economia potiguar por meio das energias.

O Mais RN, plataforma criada pela FIERN, reúne informações sobre a indústria do RN, com tecnologias de B.I., inclusive. Qual a importância do Mais RN para a economia do estado?

O Mais RN é o maior presente que uma instituição empresarial poderia dar ao estado do Rio Grande do Norte. Quando ele foi construído, em 18 de julho de 2014, trazia para o estado a expectativa de abertura para investimentos e oportunidades. Não à toa foi feito um diagnóstico profundo e detalhado com base em estudos que já existiam no RN dos principais setores da economia para tornar realidade o desenvolvimento estratégico. Hoje, com o uso de tecnologias de Business Inteligence, ganha plataformas digitais de setores específicos como Energias, Pesca, Agronegócio, Petróleo e Gás e Construção Civil. É um programa de desenvolvimento estratégico, pensado a longo prazo, para o Rio Grande do Norte. Está em constante atualização e temos a expectativa que as instituições públicas e a iniciativa privada possam usar dessas informações como uma bússola para orientar os negócios, os investimentos. É uma fonte de informação para se enxergar um Rio Grande do Norte diferente.

A FIERN construiu um Plano de Retomada da Economia, que foi entregue ao Governo, e tem participado ativamente no plano de reabertura da educação. Como o senhor analisa essas contribuições da FIERN, com o poder público, em meio a pandemia?

Sabemos que a pandemia pegou as instituições todas sem planejamento e com uma grave crise sanitária e econômica mundialmente. Nesse aspecto precisa ser observado que, as Federações da Indústria, Comércio, Agricultura e Transportaram, junto com o Sebrae, CDL, fez uma preparação para a reabertura da economia. Tem servido como uma mapa para a saída da pandemia. Hoje, ainda entre abertura e fechamentos, há uma matriz construída lá no início, a várias mãos, para atenuar o impacto. Não temos registro de indústrias no RN que foram fechadas em função da preparação que as indústrias tiveram por meio do SESI, SENAI e IEL. Esse plano de retomada foi construído com muita atenção para o setor produtivo junto com o Governo para esta reabertura. Inclusive, hoje, dando uma nova contribuição com os protocolos para a reabertura da educação.