O discurso de que o homem será substituído pela máquina nada tem de novo, já que é algo que vem sendo repetido desde o século XVIII, quando da invenção da máquina à vapor e da aplicabilidade desta ao processo produtivo. Do carvão e do ferro, passando pelo aço e pela eletricidade até o advento das novas tecnologias  da informação e comunicação que transformaram a informação e o conhecimento nos ativos mais valiosos da humanidade, as revoluções industriais são, acima de qualquer outra coisa, revoluções na nossa forma de ser humano.

Diferente do que aconteceu em momentos anteriores de ruptura, quando cabia ao homem aprender a lidar com os instrumentos criados por ele mesmo para aprimorar o fazer de cada dia, sempre em busca da máxima produtividade, isso não é mais suficiente. Eu e você, prezado leitor, já não temos mais o mesmo papel no ambiente de mediação da realidade, porque a máquina tem sido aprimorada a ponto de orientar a conduta daquele a quem deveria servir: eu e você, novamente.

Já parou para refletir o quanto isso é maluco? 

A máquina, inventada e aprimorada por homens, é hoje capaz de direcionar escolhas e construções sociais em ambientes que simulam a realidade [vide redes sociais], mas que são presumidos como reais por parte significativa das pessoas que se deixam levar pela orientação dada pelos algoritmos. Ou seja, o homem cria coisas para manipular homens por meio da máquina que, sim, o substitui em uma intensidade cada vez maior porque ela é mais produtiva do que qualquer um de nós jamais será em termos técnicos, porque o como fazer nada mais é do que um passo a passo programável, atualmente conhecido como hard skills.

Por mais que tenha sido difícil pra você aprender a fazer alguma coisa, lamento informar, mas a máquina é mais eficiente que você, que, sim, já está em substituição, só que não como lá nas eras do carvão e do aço, mas no modo contemporâneo de existir, por meio da inteligência artificial, em fase de aprimoramento diário, com a grande expansão da Internet das Coisas, uma das criações mais bizarras e sensacionais desenvolvidas por humanos, que torna coisas capazes de executar atividades sofisticadas para qualquer um de nós.

Então, se a máquina está tomando nossos espaços e atividades que requerem muito mais do que apertar parafusos, como nos processos decisórios, por exemplo, o que restará para nós?

Estudiosos de diversas áreas têm discutido há mais de uma década, pelo menos, que o caminho para a sobrevivência está no desenvolvimento das soft skills, que são os aspectos que nos fazem humanos e nos tornam capazes de pensar, criar e desenvolver máquinas hábeis nas  qualidades técnicas, na medida em que fazem referência às aptidões comportamentais, habilidades interpessoais, competências subjetivas e inteligência emocional, por exemplo.

Para compreender a diferença entras hard e soft skills observe que qualquer máquina é capaz de selecionar, copiar e colar textos a partir de critérios previamente definidos, bem como manipular horários de publicações, porque a tecnologia é ferramenta. Porém, para decidir como usá-la é preciso construir conhecimento, base das soft skills, porque é a partir daquilo que a gente sabe que desenvolvemos habilidades que expressam o que somos capazes de fazer.

O ponto a se refletir aqui é se você quer ser mais um manipulado ou aquele que pensa alternativas e novas possibilidades de transformar o mundo que aí está. O primeiro é, sem dúvida, o caminho mais fácil, mas totalmente sem sentido para um ser, como o humano, que é, sobretudo, formado por significados. Já o segundo trajeto, mais complexo e trabalhoso, é desafiador, porém totalmente significativo, por ser orientado a partir daquilo que conhecemos como propósito, que nada mais é do que aquilo que o mundo vai ter a mais por você ter passado por aqui. 

Então, qual é a sua escolha?

Veja mais sobre “O profissional do futuro” neste vídeo.