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PENSÃO ALIMENTÍCIA Pensão alimentícia: mitos e verdades sobre o valor

por: Foto do autor Hora do Direito

Publicado 12 de janeiro de 2026 às 18:47

Do final do ano para cá, venho recebendo muitas mensagens no WhatsApp com dúvidas parecidas:
“Teve alteração na pensão?”
“O salário mínimo aumentou, a pensão aumenta junto?”
“Se o pai perdeu o emprego, pode pagar menos?”

Se você também está confuso, respira. Vamos por partes.

Mito 1: A pensão sempre aumenta todo ano

Nem sempre. A pensão alimentícia não sofre reajuste automático, salvo se isso estiver previsto na sentença ou no acordo. Em muitos casos, ela é vinculada ao salário mínimo ou a um índice oficial. Se não houver essa previsão, o valor permanece o mesmo até decisão judicial.

Mito 2: Aumento do salário mínimo aumenta a pensão

Depende. Se a pensão foi fixada em percentual do salário mínimo, sim, ela acompanha o reajuste. Caso tenha sido fixada em valor certo, o aumento do salário mínimo não altera automaticamente a pensão.

Mito 3: Perdeu o emprego, pode pagar menos

Outro ponto delicado. A perda do emprego não autoriza, por conta própria, a redução da pensão. É necessário entrar com ação de revisão de pensão e comprovar a mudança na condição financeira. Até lá, o valor continua devido.

Mito 4: Dá pra revisar a pensão a qualquer momento

Verdade. A pensão pode ser revista sempre que houver alteração significativa na necessidade de quem recebe ou na possibilidade de quem paga. O Direito de Família acompanha a vida real, não fotos antigas.

Mito 5: Existe um valor “correto” ou tabela fixa de pensão para dois filhos

Essa dúvida chega assim, quase diariamente:
“Gostaria de saber o valor correto que ele deveria pagar para os dois.”

E aqui vai a verdade que ninguém gosta, mas precisa ouvir: não existe valor fixo, tabela ou percentual obrigatório de pensão, nem mesmo quando são dois ou mais filhos.

A pensão não funciona como conta de mercado. O juiz não soma filhos e aplica uma fórmula matemática. O que se analisa é:

  • a necessidade de cada criança (escola, saúde, lazer, rotina);

  • a possibilidade financeira de quem paga;

  • e a proporcionalidade, considerando também quanto o outro genitor contribui.

Por isso, dois filhos não significam automaticamente o dobro da pensão. Cada família tem uma realidade, e o valor precisa refletir essa fotografia atual da vida, não um padrão imaginário.

Então, quanto fica a pensão afinal?

Não existe fórmula mágica nem resposta pronta no WhatsApp. O valor da pensão depende do famoso trinômio: necessidade, possibilidade e proporcionalidade. É isso que o Judiciário analisa e é isso que garante justiça no caso concreto.

Se você está tentando descobrir o “valor correto” da pensão, cuidado com respostas genéricas. Em Direito de Família, o que parece simples quase sempre precisa de análise individualizada.

Se você tem dúvidas sobre pensão alimentícia, o pior caminho é confiar em “achismos”. Informação correta evita conflitos, dívidas e dores de cabeça jurídicas, procure um profissional especialista.

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