Dívidas trabalhistas serão dor de cabeça para o próximo presidente do América. Foto: Elpídio Jr.

Que os clubes daqui quase nunca aprendem com os erros a gente já sabe. Mas quando a bronca fica prestes a arrebentar nas prévias de uma eleição é um fator ainda mais complicado. E esse é o caso do América.

O alvirrubro conseguiu se manter na “D”, mas não há cota de TV ou algum patrocínio mais robusto. Quem é de dentro sabe como 2020/2021 foi difícil no quesito grana. Fonte de receita se resume a cota da Copa do NE (se conseguir a vaga na Pré-copa), o aluguel de salas comerciais/estacionamento e o sócio torcedor. A pandemia foi ruim para todos, é verdade, mas a postura de quem se diz dirigente e deveria se preocupar com o “amanhã” é o que assusta.

Vejam a quantidade de atletas e treinadores que saíram do América em 2020 e 2021. Grande parte deles cobram pendências com FGTS, férias, 13º salário e etc. Algumas ações já correm na justiça (com altos valores como a de Brand, Boaventura, Evaristo Piza). Os relatos sobre a negligência em tentar remediar as dívidas (ou ao menos tentar um acordo) são de assustar. Muitos dos que saíram, se não aceitassem o proposto (valor muito menor que a dívida real) eram ignorados e deixados para buscar à justiça do trabalho.

Dos poucos que conseguiram acordos, só receberam a 1ª ou 2ª parcela. Depois disso, pararam de receber.

O Grupo Gestor assumiu por poucos meses, é verdade. Eles acertaram em trazer Renatinho Potiguar e jogadores conhecidos do treinador. Também é verdade que (na teoria) eles só mexiam com o futebol. Só que é muito cômodo demitir sem se preocupar com o impacto financeiro. É muito fácil colocar jogador para fora sabendo que isso gera problema futuro para o clube e não ser responsabilizado por isso.

Quando os atletas procuravam alguém, ficava o jogo de empurra entre presidência do clube e grupo gestor.

Isso sem mencionar toda a problemática com o time de futebol feminino do América que não viu a cor repasse de R$ 50 mil da CBF que foi destinado ao clube exclusivamente para este fim.

E para piorar, o América está sofrendo uma ação na justiça após um homem (não era funcionário do clube) falecer em decorrência de uma queda de um coqueiro que ficava dentro do CT em Parnamirim. Parece bizarro, mas é muito sério.

A família do homem, que tinha uma filha criança, entendeu que o alvirrubro é responsável pelo fato e entrou com um processo. A justiça já condenou o América a indenizar essa família com uma entrada de R$ 50 mil + 1 salário mínimo pela quantidade de meses que faltaria para a vítima se aposentar. Somando tudo, esse montante chegaria a uns R$ 500 mil. O clube tenta reverter a decisão.

Enfim, nas ENTRELINHAS, o processo sucessório que o América vai passar trará além do peso político dos bastidores, a impaciência da torcida (que não consegue participar democraticamente do clube) e ainda um 2022 mais difícil ainda em relação às finanças.

Quem for sentar na cadeira da presidência, vá sabendo e preparado!