Daniel Néri terminou não se segurando após perder para o ABC. Foto: Adriano Abreu/TN

Vitória contra Treze/PB. Derrotas para Campinense e ABC. Essa foi a trajetória de Daniel Néri no América. Em seu comando, time marcou 1 gol e tomou 6. Na derrota de ontem para o ABC, o treinador fez oito mudanças no time titular com os reforços que foram contratados.

O que surpreende é que recentemente vários atletas chegaram como reforços, mas segundo informações, Daniel Néri só indicou Tanaka, William Daltro e Weslley Smith. O resto dos contratados são de responsabilidade do grupo gestor de futebol (Paulinho Freire, Alex Padang e Hermano Morais). Mas, o que esperar agora?

Havia uma promessa de se aguardar uma melhora na 4ª ou 5ª rodada. Não chegou a isso. Pagaram para ver uma mudança já de agora. Leandro Sena reassume interinamente o América para o jogo de sábado, contra o Caucaia com uma interrogação do meu tamanho. Qual time que entra em campo? Quem deixou de ser titular com Daniel Néri volta agora no próximo jogo?

Internamente o clima deve estar mais do que tenso. Imaginem os atletas que ficaram desde Piza. Agora têm os que chegaram recentemente (mais de 11 atletas). Nesse meio tempo, troca de comando e o América indo para o 3º técnico em 2021.

Para se ter uma ideia, em todo o ano de 2020 foram 3 técnicos: Waguinho Dias, Roberto Fernandes e Paulinho Kobayashi. Estamos no final de junho, indo para a 4ª rodada da “D”, e o América já vai para o seu 3º treinador em 2021. Em menos de 2 anos, cinco técnicos. Dá uma média de 1 treinador a cada 4 ou 5 meses.

E essa média é ainda menor se for levar em consideração só 2021. Dá 1 treinador para cada 2 meses.

Claro, entendo demais a aposta que está sendo feita. Ninguém erra por querer e eu seu disso, mas o que não foi visto antes de trazer Néri que ficou claro aqui em Natal? Não houve pesquisa de mercado e ainda confirmar que o estilo de trabalho (seja taticamente falando ou de comando interno) era o ideal? O tempo vai mostrar se a mudança (mais uma) de treinador fará o efeito que se espera.

Só que nas ENTRELINHAS fica o alerta sobre o futebol de hoje: mudou muito. Não estamos há 10 ou 15 anos atrás. A coisa está muito mais profissional, requer dedicação quase que exclusiva e conhecimento do mercado. E quem é (ou está) dirigente tem que saber que o aprendizado deve ser constante. Pé no chão nesse xadrez.

Nem sempre as glórias do passado bastam para reerguer algo. Paixão e futebol são difíceis de se separar, mas que seja balizado pela profissionalização. Aí a coisa anda.

Esperar para ver os próximos capítulos.