Brasileiros retornam ao país pela fronteira de Roraima após escalada de tensão na Venezuela. | Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Cem turistas brasileiros que estavam na Venezuela deixaram o país e retornaram ao Brasil após os ataques realizados pelos Estados Unidos. A informação foi confirmada neste sábado (3) pelo governo brasileiro. O grupo cruzou a fronteira por Roraima, em meio ao aumento da tensão na região.
De acordo com o Ministério das Relações Exteriores, a saída ocorreu de forma segura e não há registro de vítimas ou feridos entre brasileiros que vivem ou estavam em turismo no país vizinho.
A ministra interina do Itamaraty, Maria Laura da Rocha, afirmou que a embaixada do Brasil em Caracas segue monitorando a situação de perto e mantém contato permanente com a comunidade brasileira.
“Nossa embaixada em Caracas acompanha com atenção o desenrolar dos acontecimentos e a situação da comunidade brasileira naquele país. Até o momento, não há qualquer relato de vítimas ou feridos”, declarou.
Maria Laura substitui o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, que interrompeu férias e retornou a Brasília neste sábado para acompanhar a crise envolvendo a Venezuela.
A ministra falou com a imprensa após a segunda reunião emergencial do dia, realizada no Itamaraty para avaliar os impactos da ação militar dos Estados Unidos.
O encontro foi coordenado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e reuniu ministros das áreas de Justiça e Segurança Pública, Defesa, Comunicação Social, além de representantes da Casa Civil, Relações Institucionais e do corpo diplomático brasileiro.
O ministro da Defesa, José Múcio, afirmou que a situação na fronteira segue tranquila e sem restrições, orientando brasileiros que desejem deixar a Venezuela a buscar apoio das representações diplomáticas.
“As fronteiras estão abertas, não há nenhuma restrição. O brasileiro que estiver lá pode procurar a embaixada ou o consulado, que têm prestado assistência”, disse.
Segundo ele, o governo brasileiro permanece em regime de plantão para agir caso haja novos desdobramentos.
Questionada sobre quem o Brasil reconhece como chefe de Estado venezuelano neste momento, Maria Laura afirmou que o país considera a vice-presidente Delcy Rodríguez como presidente interina, diante da ausência de Nicolás Maduro.
A ministra também confirmou que o Brasil participará da reunião ministerial da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), neste domingo (4), e de uma sessão do Conselho de Segurança da ONU, marcada para segunda-feira (5). Em ambos os fóruns, a ação militar dos EUA será debatida.
“O Brasil mantém sua posição histórica de defesa do direito internacional, da soberania dos países e contra qualquer tipo de invasão territorial”, afirmou.
Mais cedo, o presidente Lula divulgou nota condenando o ataque, classificando-o como violação do direito internacional.
A ofensiva dos Estados Unidos contra a Venezuela marca um novo capítulo de intervenções diretas de Washington na América Latina. A última invasão norte-americana a um país da região ocorreu em 1989, no Panamá, quando o então presidente Manuel Noriega foi capturado sob acusações de narcotráfico.
O governo norte-americano acusa Nicolás Maduro de liderar um suposto cartel internacional de drogas, alegação questionada por especialistas. Antes da ação militar, os EUA chegaram a oferecer US$ 50 milhões por informações que levassem à prisão do líder venezuelano.
Críticos apontam que a ofensiva tem motivações geopolíticas, como o enfraquecimento da relação da Venezuela com países como China e Rússia e o interesse estratégico sobre as vastas reservas de petróleo do país.
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