Rogério Marinho defende proposta alternativa ao fim da escala 6x1 | Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

Política

Trabalho Após críticas e reação popular, aliados abandonam PEC de Rogério e esvaziam proposta

Proposta alternativa ao fim da escala 6×1 passou a ser criticada por permitir negociações sem sindicatos e por abrir espaço para jornadas maiores que as previstas na proposta aprovada pela Câmara

por: NOVO Notícias

Publicado 5 de junho de 2026 às 15:30

A proposta apresentada pelo senador Rogério Marinho (PL) como alternativa ao fim da escala 6×1 começou a perder apoio dentro do próprio Senado. Após pressão de sindicatos, críticas de parlamentares e forte repercussão nas redes sociais, pelo menos três senadores retiraram suas assinaturas da PEC 12/2026, que prevê um modelo de contratação com maior flexibilização da jornada e pagamento por hora trabalhada. As informações são do InfoMoney.

O texto foi protocolado poucas horas depois de a Câmara dos Deputados aprovar a PEC que reduz a jornada semanal para 40 horas e garante dois dias de descanso, sem redução salarial. Já a proposta articulada por Rogério cria a possibilidade de escolha entre o modelo tradicional da CLT e um regime mais flexível negociado diretamente entre empregado e empregador.

A principal crítica feita por sindicalistas e parlamentares é que a PEC abre espaço para jornadas mais longas e reduz o papel dos sindicatos nas negociações trabalhistas. O próprio Rogério já mencionou a possibilidade de trabalhadores cumprirem jornadas que poderiam chegar a 50 horas semanais.

Outro ponto questionado por entidades sindicais é a previsão de acordos diretos entre patrões e empregados. Para os críticos da proposta, isso pode enfraquecer a negociação coletiva e reduzir a capacidade de defesa dos trabalhadores em determinadas categorias.

As críticas ganharam força nas redes sociais, onde opositores passaram a chamar o texto de “PEC da escala 7×0”, numa referência à possibilidade de ampliação das jornadas de trabalho.

Senadores retiram assinaturas

Um dos primeiros a recuar foi o senador Zequinha Marinho (Podemos-PA). Após reunião com representantes sindicais, ele anunciou a retirada da assinatura. “A PEC retira a presença do sindicato das negociações e isso a gente não pode admitir”, afirmou em vídeo divulgado nas redes sociais.

>> Receba notícias do NOVO em tempo real pelo WhatsApp

O movimento também alcançou o senador Cleitinho (Republicanos-MG), que informou ter retirado seu apoio e passado a defender a proposta aprovada pela Câmara dos Deputados. “Tem dois anos que estou falando aqui que quero acabar com a escala 6×1. Então estou tirando minha assinatura”, declarou.

Até aliados de Rogério voltaram atrás

O desgaste da proposta chegou até mesmo a parlamentares do PL. O senador Romário (PL-RJ), que havia assinado a PEC, anunciou publicamente sua saída após a repercussão negativa. “Entendi que muita gente viu o texto como algo prejudicial ao trabalhador brasileiro. E, se o povo entende assim, não faz sentido eu continuar nela”, escreveu nas redes sociais.

A retirada de assinaturas ocorre após uma intensa mobilização de centrais sindicais junto aos gabinetes dos senadores. As entidades defendem que a proposta aprovada pela Câmara oferece mais proteção ao trabalhador ao reduzir a carga horária sem diminuir salários.

Câmara aprovou redução da jornada

Enquanto a PEC de Rogério enfrenta dificuldades para manter apoio político, a proposta aprovada pela Câmara segue para análise do Senado. O texto prevê a redução gradual da jornada semanal para 40 horas, sem corte salarial. Pela proposta, a carga horária cairá inicialmente para 42 horas e permanecerá assim durante um período de transição antes da adoção definitiva das 40 horas semanais.

A matéria foi aprovada com ampla maioria dos deputados federais, incluindo os oito representantes do Rio Grande do Norte.

Rogério chamou proposta da Câmara de “crime contra o país”

Antes da votação na Câmara, Rogério Marinho criticou duramente a proposta que reduz a jornada de trabalho sem compensações às empresas. Em entrevista à Folha de S.Paulo, o senador classificou o texto como “um desastre” e “um crime contra o país”.

Apesar das críticas da oposição, a proposta avançou na Câmara e agora seguirá para o Senado, enquanto a PEC alternativa patrocinada por Rogério começa a enfrentar resistência crescente até mesmo entre parlamentares que inicialmente apoiavam a iniciativa.

Tags