Alta do cacau no mercado internacional pressiona preço do chocolate e aumenta presença de produtos “sabor chocolate” nas prateleiras. | Foto: Freepik

Economia

Páscoa Alta do cacau encarece chocolate e impulsiona venda de produtos “sabor chocolate” na Páscoa

Com aumento de quase 25% no preço em um ano, consumidores encontram mais produtos com menor teor de cacau nas prateleiras; especialista alerta para diferenças na composição

por: NOVO Notícias

Publicado 1 de abril de 2026 às 14:09

A alta no preço do cacau no mercado internacional está impactando diretamente o valor do chocolate no Brasil às vésperas da Páscoa de 2026. Segundo dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o produto acumulou aumento de 24,77% nos últimos 12 meses, pressionando o preço de barras, bombons e ovos de chocolate vendidos em supermercados e lojas.

O cenário tem provocado uma mudança nas prateleiras: cresce a presença de produtos rotulados como “sabor chocolate”, que costumam ter menor teor de cacau e utilizam ingredientes substitutos para reduzir custos de produção.

De acordo com a nutricionista e docente Eva Andrade, da Estácio, a expressão “sabor chocolate” indica que o produto não atende aos critérios legais para ser considerado chocolate. “Em geral, esses itens possuem menor quantidade de cacau e utilizam aromatizantes e gorduras vegetais no lugar da manteiga de cacau, que é um dos componentes característicos do chocolate tradicional”, explica.

Nos chocolates convencionais, a base da composição é o cacau — incluindo massa e manteiga de cacau — responsáveis por características sensoriais e nutricionais. Já nos produtos com “sabor chocolate”, a presença desse ingrediente costuma ser menor, com substituições que podem alterar sabor, textura e qualidade nutricional.

Diferenças nutricionais

Segundo a especialista, chocolates com maior teor de cacau tendem a ter menos açúcar e maior concentração de compostos bioativos, como os polifenóis, associados à ação antioxidante. Por outro lado, produtos classificados como “sabor chocolate” costumam apresentar maior quantidade de açúcar e gorduras de menor qualidade, além de menor valor nutricional e maior densidade calórica.

O consumo frequente desses produtos pode trazer impactos à saúde quando associado a uma alimentação desequilibrada. “Esse padrão pode contribuir para alterações no metabolismo da glicose e aumentar o risco de problemas metabólicos, como obesidade e diabetes”, afirma Eva Andrade.

A recomendação final dos especialistas é que o chocolate pode fazer parte da alimentação, desde que consumido com moderação. “O mais importante é manter o equilíbrio. O chocolate pode ser incluído em uma alimentação saudável, desde que sem excessos”, orienta a nutricionista.

Como escolher melhor na Páscoa

Mesmo com o aumento de preços, a recomendação da nutricionista é priorizar qualidade em vez de quantidade. Entre as orientações estão observar a lista de ingredientes, evitar produtos com grande quantidade de gorduras vegetais adicionadas e optar por chocolates com maior teor de cacau — preferencialmente acima de 60%.

Debate sobre regras do chocolate no Brasil

A discussão sobre a composição do chocolate também está em pauta no Congresso Nacional. Atualmente, a regulamentação da Anvisa exige mínimo de 25% de cacau para que um produto seja considerado chocolate.

Um projeto de lei aprovado na Câmara dos Deputados e em análise no Senado propõe elevar esse percentual para 35%, além de estabelecer regras mais claras para a rotulagem dos produtos.

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