Foto: Abrasel/Divulgação

Economia

Trabalho Abrasel alerta para impacto da mudança de escala no preço de serviços essenciais

O presidente-executivo da Abrasel, Paulo Solmucci, afirmou que a eventual mudança compulsória da escala de trabalho 6×1 para 5×2 pode provocar aumento nos preços de serviços essenciais, com impacto direto no bolso do consumidor — especialmente o de baixa renda

por: NOVO Notícias

Publicado 22 de março de 2026 às 11:03

O presidente-executivo da Abrasel, Paulo Solmucci, afirmou que a eventual mudança compulsória da escala de trabalho 6×1 para 5×2 pode provocar aumento nos preços de serviços essenciais, com impacto direto no bolso do consumidor — especialmente o de baixa renda. Segundo ele, os reajustes podem variar entre 7% e 14% em setores como restaurantes e clínicas médicas.

A declaração foi feita durante o debate “Caminhos do Brasil”, promovido pelos veículos O Globo, Valor Econômico e Rádio CBN, com mediação da jornalista Vera Magalhães. Também participaram o deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG), o economista Naercio Menezes Filho, professor titular da Cátedra Ruth Cardoso no Insper, e José Pastore, presidente do Conselho de Emprego e Relações do Trabalho da FecomercioSP.

Impacto direto no consumidor

Durante o debate, Solmucci destacou que a população precisa ter clareza sobre os efeitos da mudança de escala, já que o custo tende a ser repassado ao consumidor final.

Segundo ele, no setor de bares e restaurantes, a alteração poderia gerar aumento médio entre 7% e 8% nos preços. Já em clínicas médicas, o impacto poderia chegar a 14% ou 15%.

Para a Abrasel, esse cenário tende a atingir com maior intensidade os consumidores de menor renda, que possuem menos margem para absorver reajustes em despesas recorrentes com serviços essenciais.

Pequenos negócios podem perder competitividade

Solmucci também alertou para possíveis efeitos sociais da medida, especialmente em um contexto de escassez de mão de obra e alto nível de emprego.

De acordo com ele, empresas maiores e com maior capacidade financeira teriam vantagem na disputa por trabalhadores, enquanto pequenos negócios poderiam enfrentar dificuldades para recompor equipes.

“O efeito seria mais duro justamente sobre os estabelecimentos menores e sobre os territórios com menor dinamismo econômico”, afirmou.

Segundo o dirigente, essa dinâmica pode ampliar desigualdades regionais e reduzir a competitividade de empresas de menor porte.

Custos trabalhistas podem subir cerca de 20%

A Abrasel estima que a substituição obrigatória da escala 6×1 pela 5×2 pode elevar em aproximadamente 20% o custo da mão de obra em bares e restaurantes, setor que depende de funcionamento contínuo ao longo da semana, inclusive em fins de semana e horários de maior demanda.

Na avaliação da entidade, esse aumento tende a pressionar preços, reduzir margens operacionais e dificultar contratações, principalmente em negócios menores.

Redução da jornada semanal pode ser debatida

Apesar das críticas à mudança da escala, Solmucci afirmou que a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas pode ser discutida, considerando o avanço da produtividade nos últimos anos.

Ainda assim, a Abrasel defende que o debate sobre alterações estruturais na jornada de trabalho precisa considerar seus impactos concretos sobre o custo de vida da população.

Entidade pede debate fora do calendário eleitoral

A associação também avalia que uma mudança dessa dimensão não deve ser conduzida em ano eleitoral, por se tratar de um tema complexo e com efeitos amplos sobre trabalhadores, empresas e consumidores.

Para a entidade, a discussão precisa ocorrer com base técnica, transparência e avaliação dos impactos econômicos e sociais antes de qualquer decisão.

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