O caso mais recente teve como alvo o vereador e pré-candidato a deputado federal, Cabo Deyvison (PL), na noite do último dia 15, em Mossoró
Entre outubro de 2025 e junho deste ano, crimes envolvendo políticos resultaram na morte de pelo menos três pessoas; rio grande do norte tem a segunda maior taxa de assassinatos de políticos entre os estados do Nordeste, aponta estudo
Publicado 22 de junho de 2026 às 15:36
O Rio Grande do Norte registrou pelo menos cinco episódios de violência contra políticos em um intervalo inferior a 12 meses. O caso mais recente teve como alvo o vereador e pré-candidato a deputado federal, Cabo Deyvison (PL), na noite do último dia 15, em Mossoró. O atentado resultou na morte do assessor dele, identificado como Alyson Dyego de Oliveira Morais, e deixou o parlamentar ferido.
Deyvison, que é policial militar, foi baleado nas pernas durante uma transmissão ao vivo em frente a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Quatro suspeitos de envolvimento no crime já foram presos pelas forças de segurança do Estado. O grupo cumpre prisão preventiva, determinada pela Justiça na última quinta-feira (18). A Polícia Civil aponta uma possível retaliação de uma facção à atuação de um vereador como motivação do atentado.
Entre outubro de 2025 e junho deste ano, segundo levantamento do NOVO, os atentados contra políticos resultaram na morte de pelo menos três pessoas. Além do assessor mossoroense, o histórico de violência também inclui o assassinato do vereador Fábio Vicente da Silva (PL), de Extremoz, em 13 de março. O parlamentar foi morto a tiros dentro de sua residência por dois homens armados. Ninguém foi preso até o momento.

No mesmo mês, o prefeito de Francisco Dantas, José Adolfo, sofreu atentado em Pau dos Ferros. O veículo que o gestor dirigia foi alvo de disparos, mas ele não foi atingido. Ninguém foi preso neste caso.
No final de 2025, outros dois casos mobilizaram as autoridades. Em 12 de dezembro, o ex-vereador José Adailton de Medeiros foi assassinado em Montanhas. A investigação aponta que um homem — ainda não identificado — chegou ao local em uma motocicleta e fugiu após os disparos. Ninguém foi preso.
Em 6 de outubro de 2025, em Caraúbas, a residência e um empreendimento da vereadora Francisca Leite de Medeiros Alves foram alvos de disparos de arma de fogo. Não houve registro de feridos. Seis dias após o ataque, dois policiais militares do Ceará foram presos sob suspeita de participação no crime. Um policial civil também é investigado por suposto envolvimento no episódio.
O NOVO procurou a Polícia Civil para obter informações acerca das investigações dos crimes envolvendo políticos, mas não obteve resposta até o momento.
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O Rio Grande do Norte registra uma taxa de 8,7 assassinatos políticos para cada milhão de eleitores, consolidando-se como o segundo estado mais perigoso do Nordeste para ocupantes ou candidatos a cargos públicos. Segundo dados do relatório “Democracia Mortal – Violência Política no Brasil”, do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), que mapeou casos de violência política entre 2003 e 2023, o índice potiguar é superado na região apenas pelo estado de Alagoas.
No contexto potiguar, as disputas institucionais e a gestão de recursos municipais são os principais motores da violência política. O estudo aponta que controle de prefeituras e câmaras municipais envolve a gestão de “contratos de construção, permissões de uso da terra e contratações de pessoal, o que eleva o valor estratégico e o risco das disputas locais”.
O estudo aponta, ainda, que o alto índice de mortes sugere que os canais de negociação legislativa e arbitragem judicial estão sendo substituídos pela violência física.
Em termos nacionais, a região Norte apresenta a maior taxa de assassinatos políticos, com 13,9 por milhão de eleitores, seguida pelo Centro-Oeste (8,1) e pelo Nordeste (7,0). Individualmente, Roraima lidera o ranking nacional com 30,7 mortes por milhão de eleitores. Na base oposta, as regiões Sul (2,6) e Sudeste (3,6) apresentam os menores indicadores, com exceção do Rio de Janeiro, que registra taxa de 9,0 devido à atuação de milícias.
O relatório técnico defende a criação de um observatório para acompanhar ameaças e tentativas de forma sistemática. De acordo com os especialistas, os assassinatos políticos seguem uma sequência lógica que permite a prevenção por meio de políticas de proteção focalizadas em áreas de maior risco identificado.
5/06/2026
Atentado a tiros contra o vereador Cabo Deyvison (PL-RN) em Mossoró (RN); o assessor Alyson Dyego de Oliveira Morais foi morto durante transmissão ao vivo em frente à UPA. Quatro suspeitos presos; motivações ainda não esclarecidas.
13/03/2026
O vereador Fábio Vicente da Silva (PL) foi assassinado a tiros em sua casa na comunidade Araçá, Extremoz (RN). Crime ocorreu entre 2h e 3h; pelo menos dois invasores arrombaram a porta procurando pelo parlamentar.
11/03/2026
Atentado contra o prefeito de Francisco Dantas, José Adolfo, em Pau dos Ferros (RN): ocupantes de uma moto dispararam contra o carro do gestor; um tiro atingiu o para-brisa, sem feridos.
12/12/2025
Ex-vereador José Adailton de Medeiros, de Montanhas (RN), foi executado em ataque rápido próximo a um frigorífico; câmeras e testemunhas indicam suspeito que chegou de motocicleta. Vítima não resistiu.
06/10/2025
Casa e clínica de uma vereadora foram alvos de disparos em Caraúbas (RN); ninguém ferido. Dois PMs do Ceará (Dario Jales e Júlio Vinícios) foram presos em 12/10/2025 suspeitos de envolvimento; um policial civil também é investigado.
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