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Cotidiano

Saúde Casos graves de queimaduras aumentam no RN e pressionam o atendimento no Walfredo Gurgel

Centro de Tratamento de Queimados funciona com leitos reduzidos há cerca de dois anos por obra inacabada; aumento das internações e da gravidade dos casos pressionam sistema de saúde estadual durante o período junino

por: Alessandra Bernardo

Publicado 22 de junho de 2026 às 15:00

O aumento de casos graves de queimaduras no Rio Grande do Norte tem pressionado o atendimento especializado do Hospital Walfredo Gurgel, durante o período junino, considerado o de maior risco. No Centro de Tratamento de Queimados (CTQ), a alta demanda se soma à redução da capacidade de leitos de 20 para 12, causada por uma reforma que se arrasta há cerca de dois anos sem conclusão.

Segundo o diretor do CTQ, Marco Almeida, a situação é grave e se torna pior com a alta complexidade dos casos e o impacto direto na ocupação da unidade, referência no estado. “Estamos com um grave problema. Há dois anos iniciamos uma reforma e não concluímos nem 2% dela. Perdemos mais de 50% da nossa área física e vários serviços estão comprometidos”, afirmou.

Ele destacou que as limitações estruturais comprometem o fluxo de atendimento e a capacidade de resposta em períodos de maior demanda. Também revelou déficit de profissionais em diferentes áreas.

Segundo a Secretaria Estadual de Saúde (Sesap), a reforma do CTQ começou em agosto de 2024, com contrato de R$ 1,2 milhão. No início do mês, o secretário estadual de Saúde, Alexandre Motta, o Governo do RN abriu processo de distrato com a atual responsável pela obra e tenta viabilizar a convocação de outra empresa para assumir os serviços.

Alta nas internações e aumento da gravidade dos casos

Dados da Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) apontam mudança significativa no perfil das internações por queimaduras no RN. Entre os dez primeiros meses de 2023 e o mesmo período de 2024, a média era de cerca de oito internações mensais. Já no mesmo período de 2025 e de 2026, o número passou para quase 27 por mês, ou seja, mais que o triplo.

Nos primeiros seis meses deste ano, o volume de internações praticamente dobrou em relação ao levantamento anterior, segundo o diretor do CTQ. Ele frisou ainda que os casos têm chegado com maior gravidade clínica, o que pode causar sequelas permanentes e até mesmo a morte.

“A profundidade e a extensão das queimaduras aumentaram, o que eleva o tempo de internação e o risco de complicações”, explicou Marco Almeida, ressaltando que crianças e idosos estão entre os mais vulneráveis.

Ele também chama atenção para os acidentes domésticos, que seguem como uma das principais causas de queimaduras ao longo do ano. Mesmo fora do período junino, eles permanecem como a principal causa de internações por queimaduras no RN.

Levantamentos apontam que mais da metade dos casos ocorre dentro das residências, geralmente envolvendo líquidos quentes, álcool e falhas elétricas. Para Marcos, é necessária uma prevenção contínua, com educação em saúde e maior conscientização sobre riscos domésticos.

Período junino amplia risco e pressão sobre o sistema

Durante o mês de junho, o uso de fogueiras e fogos de artifício provoca um aumento expressivo nos atendimentos. Segundo o diretor, os casos podem crescer até 2.000% em relação à média anual. Ele alertou para a falsa percepção de segurança em produtos considerados simples e reforçou a necessidade de restrição no uso por crianças.

“Não existem fogos inofensivos. Mesmo os mais simples podem causar danos irreversíveis, como cegueira se atingirem os olhos de uma criança. Sou totalmente contrário ao uso de fogos por menores. Crianças devem usar apenas brinquedos adequados à faixa etária”, disse o médico.

O aumento da gravidade dos casos também tem impacto direto na mortalidade e nas sequelas. Segundo Marcos, houve um aumento nos casos de óbitos e de evolução clínica mais severa, que geram sequelas permanentes. No primeiro semestre analisado, o CTQ registrou nove mortes por queimaduras — número superior ao total de óbitos do ano anterior.

O Hospital Walfredo Gurgel, referência no atendimento de média e alta complexidade, não funciona como porta aberta e recebe pacientes regulados por unidades de pronto atendimento. “Recebemos predominantemente queimaduras de níveis moderado a grave”, explicou o diretor.

Como agir em caso de acidente com queimadura

  • Não aplicar substâncias caseiras
    Evitar manteiga, pasta de dente ou óleo, pois aumentam o risco de infecção e dificultam o tratamento.
  • Resfriamento em casos leves
    Lavar a área afetada com água corrente fria por 10 a 20 minutos.
  • Evitar intervenções caseiras em casos graves
    Não tentar tratar em casa quando a queimadura for mais séria.
  • Não estourar bolhas
    As bolhas fazem parte da proteção natural da pele lesionada.
  • Não remover roupas aderidas à pele
    Isso pode agravar o trauma e causar novas lesões.
  • Procurar atendimento imediato
    Em casos moderados ou graves, a orientação é buscar assistência médica sem demora.
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